O ano letivo de 2026 teve início nesta segunda-feira (2) na rede estadual de ensino com uma novidade para a região de Marília: a implementação do modelo cívico-militar. O destaque ficou para a Escola Estadual Professor Benito Martinelli, na zona norte da cidade, que passou a integrar o grupo de 100 unidades do Estado selecionadas para o projeto.
Segundo a dirigente regional de Ensino de Marília, Ana Luiza Bernardo Guimarães, o novo formato não transforma a instituição em uma escola militar no sentido estrito. O foco, segundo ela, estaria no fortalecimento de valores de civismo, no respeito aos símbolos pátrios e na disciplina voltada à organização e ao foco na aprendizagem.
“A gestão pedagógica continua sob responsabilidade da direção e dos professores, mas agora conta com o apoio de um núcleo militar composto por dois monitores, que são militares da reserva, selecionados por meio de processo da Secretaria da Educação. Eles atuam na mediação de conflitos e no diálogo com os estudantes”, explicou Ana Luiza.
No primeiro dia de atividades na Escola Estadual Professor Benito Martinelli, os alunos participaram da chamada “Ordem Unida”, momento cívico que incluiu o canto do Hino Nacional antes do deslocamento para as salas de aula. Os monitores — que não portam armas e utilizam trajes civis, como camisetas e calças jeans — apresentaram aos estudantes e aos pais o regimento escolar, reforçando a importância do respeito e da convivência harmoniosa.
“Os monitores explicaram como vai funcionar, falaram que os uniformes ainda vão chegar e que os estudantes precisarão estar uniformizados, destacando que isso também tem relação com a segurança. Assim como existem regras na nossa vida: você não chega atrasado ao cinema, senão perde o filme. Na escola é a mesma coisa, com o apoio dos monitores. Foi tudo muito tranquilo neste primeiro dia”, relatou a dirigente.
A adesão ao modelo gerou grande interesse da comunidade mariliense. Após a aprovação do projeto em votação envolvendo pais, alunos e funcionários, a Escola Estadual Professor Benito Martinelli registrou aumento na procura, com cerca de 100 alunos a mais em relação ao ano anterior, atraindo inclusive transferências de escolas particulares.
“Houve um movimento muito grande de pais de diferentes regiões buscando transferir os filhos para a escola. São pais que acreditam neste modelo. Tivemos saída de alunos de escolas particulares e também de outras escolas públicas, que vieram para o Benito por confiarem nessa proposta. A média é de 100 alunos a mais do que no ano passado. A procura foi grande e a comunidade, de forma geral, espera esse regramento de valores cívicos, o culto à bandeira e a definição de limites”, afirmou Ana Luiza.
Em relação aos uniformes, a dirigente esclareceu que não haverá trajes de gala nem quepes. Os estudantes receberão, até o final do primeiro semestre, um kit esportivo com camiseta com emblema, bermuda e calça. Por enquanto, foram distribuídos apenas os kits de material escolar padrão do governo estadual.
Superação e retorno na Escola Abel Augusto Fragata
O retorno às aulas movimentou entre 14 mil e 15 mil estudantes em 38 escolas estaduais de Marília. Entre elas, a Escola Estadual Abel Augusto Fragata. A unidade passa por uma ampla reforma estrutural da Fundação de Desenvolvimento da Educação (FDE) e havia sido alvo recente de vandalismo, com o furto de toda a fiação de cobre, o que gerou apreensão na comunidade escolar.
Apesar disso, uma força-tarefa realizada na última sexta-feira (30) possibilitou o reparo da fiação e o restabelecimento da energia elétrica pela CPFL no início da noite, garantindo a abertura da escola nesta segunda-feira (2). As aulas transcorreram normalmente, com merenda servida e presença significativa de alunos, mesmo com as obras de troca de piso e janelas ainda em andamento.
“Nós conseguimos conversar com o pessoal da CPFL, que entendeu a urgência para colocar a escola em funcionamento. No início da noite de sexta-feira, o serviço foi concluído e imediatamente avisamos os pais. A ideia é que, daqui para frente, com o apoio da comunidade, a gente consiga minimizar essa onda de vandalismo pela qual a escola passou”, concluiu Ana Luiza.
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