Ao longo de julho, YouTube, Instagram e a chinesa TikTok anunciaram mudanças grandes em suas plataformas. Em um dos casos (o do Instagram), mudanças que incomodaram muito seus usuários. Mas, em todos, é mostra de que um entrante com os bolsos recheados de dinheiro conseguiu abrir uma fissura em dois dos principais monopólios do Vale do Silício.
Essa é uma história que ilumina a transformação pela qual o vídeo está passando no digital e, ao mesmo tempo, revela que a briga entre China e EUA na tecnologia está se acirrando para além dos aparelhos e algoritmos, chegando ao campo do conteúdo.
Alguns números revelam o cenário. Nesta quarta-feira, a holding do Google, Alphabet, anunciou que o YouTube faturou US$ 7 bilhões no segundo trimestre em publicidade, um crescimento de 83% em relação ao mesmo período no ano passado. Talvez não tenhamos o hábito de pensar no YouTube como uma empresa de streaming de vídeo — mas compare com a maior delas, a Netflix. Faturou ao todo US$ 7,34 bilhões no mesmo período. E cresceu menos de 20% em relação a 2020.
Ainda assim, a principal novidade do YouTube em julho foi o Shorts — vídeos verticais, com no máximo um minuto. E a plataforma está incentivando ao máximo quem produz para ela a aproveitar este formato. Afinal, é o formato padrão de outra plataforma. O TikTok.
Outro número revelador: usuários de smartphones Android, nos EUA e no Reino Unido, passaram, em média, 24,5 horas durante o mês de maio ligados no app chinês. Esses mesmos passaram 22 horas ligados no YouTube, segundo a App Annie, uma empresa que faz essas medições. Não é à toa que os californianos estão correndo atrás.
Pois a briga tem caminho de ida, mas também de volta. O YouTube lançou seu projeto de vídeos curtos e o TikTok estendeu o limite de seus vídeos para três minutos. Não é difícil explicar — os vídeos de dancinhas e de dublagens e das muitas moças de biquíni até divertem, mas certos tipos de conteúdo exigem mais espaço. Para poder enfrentar o YouTube de frente e atrair conteúdo mais profundo, o TikTok abriu o flanco da minutagem.
Quem ficou correndo atrás foi o Instagram, a rede social de fotografias do Facebook. Por um lado, já tinha atingido um ponto de maturidade, com inúmeras celebridades próprias que criaram audiências para lá do milhão e fazem dinheiro na plataforma. Por outro, vinha perdendo espaço na briga do vídeo, crescendo num ritmo muito aquém dos concorrentes.
Este mês, bateu o bumbo para novidades em dois momentos. No primeiro, falou de novas possibilidades para que os influenciadores façam mais dinheiro na plataforma. Tem de participação em publicidade à possibilidade de vender de produtos. Umas semanas depois, anunciou que o Instagram não é mais uma plataforma de fotos, puxou sua imitação de TikTok, o Reels, de 30 segundos para um minuto, e revelou que o algoritmo vai apresentar cada vez mais vídeos e menos fotos. Além disso, muitos daqueles que criam no Instagram perceberam que estão perdendo visibilidade de forma acelerada.
Ou seja: primeiro o Instagram deu um prêmio — mais possibilidades de fazer dinheiro. Depois veio com o porrete, desestabilizou todo mundo.
O YouTube tomou o cuidado de não fazer isto. E não é à toa. Primeiro, está numa posição defensiva, mas tem gordura. Mas, segundo e mais importante, este é um jogo no qual, após anos sugando quem produz aquilo que as pessoas vêem, as plataformas começam a ter de disputar quem dominou a arte de produzir em sua linguagem. Quem de fato atrai o público. O Instagram pode ter cometido um erro sério.
Por isso monopólios são ruins. Por isso concorrência funciona. E já está entrando com força outro chinês neste jogo. É a Kwai.
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