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Cofundador da Fórmula E diz que Brasil deverá ter uma corrida

Que a Fórmula E é visionária isso não é novidade. A única categoria do automobilismo mundial a usar energia elétrica vai muito além disso. E quem garante é Alberto Longo, cofundador e diretor de campeonato da FE. O dirigente afirmou quais os desafios de se promover um evento tão único, sendo referência em sustentabilidade global.

Longo revelou também que o Rio de Janeiro não só esteve perto de receber o evento, como foi a primeira cidade do planeta a ser cortejada para tal. Porém, a esperança dos fãs brasileiros de automobilismo de ver os carros elétricos pelas ruas do País ainda continua viva. Segundo o dirigente, o Brasil está ‘mais próximos do que nunca’ de hospedar uma corrida de Fórmula E.

A etapa do México, que acontece no autódromo Hermanos Rodríguez, tem transmissão ao vivo para o Brasil na TV Cultura. Os carros vão para a pista para o treino classificatório neste sábado, às 14h30 (horário de Brasília), com o evento principal (corrida) previsto para começar às 18h45.

O que faz dessa corrida tão especial?

O quão competitivo é o fato de corrermos no coração da cidade. Eu acho que há 3 fatores principais: a transferência da tecnologia desta corrida para os carros do futuro, está tudo ocorrendo hoje. Tudo isso é manufaturado. Nós testamos aqui o que será usado no futuro, o que os carros do futuro basicamente terão. Tudo o que você vê hoje, em alguns anos estará em um carro elétrico que você vai comprar. Essa é a chave da Fórmula E

Quais são as similaridades que permitem este circuito receber a Fórmula E e a Fórmula 1, por exemplo?

São duas competições diferentes. Estamos no mesmo autódromo, mas não usamos as pistas da Fórmula 1. Essa é um dos motivos que nos fez vir ao México. Nós podemos realmente fazer uma competição diferente. A distância é diferente, o público é diferente. Nós precisamos do público mais perto, porque é uma corrida espetacular.

Como a FE pode se tornar mais popular a ponto de se tornar uma referência no automobilismo?

Eu não gosto de fazer comparações. Nós estamos fazendo nossas coisas, e todo o resto está fazendo as coisas deles. É verdade que nós somos o único campeonato com carros elétricos. E a indústria praticamente ‘ignora’ a ideia da eletricidade. Esta é a nossa realidade. Em continentes, países, cidades eles simplesmente baniram a ideia de colocar componentes elétricos nos carros. E esta é a realidade, isto esta acontecendo. É algo que vai acontecer depois de amanhã. Nós vamos ver nossas ruas das maiores cidades do mundo não usado mais combustíveis. E nós somos o único campeonato mundial e a única plataforma de grande público que mostrou e desenvolveu estas tecnologias.

Como a FE pode crescer ainda mais ao redor do mundo?

Basicamente, ser grande como nós somos hoje… estamos correndo em quatro continentes. Se tivermos sorte, nas próximas edições estaremos correndo nos cinco continentes. E novamente, estamos na indústria certa. No caminho certo, sabe? Não precisamos ficar olhando para os outros. Temos de ir lá e fazer nós mesmos e fazer o melhor para entreter o público e ter muitas corridas novamente. Tenho perdido alguns bons show nos últimos anos.

Sabemos que no começo, a Fórmula E tentou fazer uma corrida no Rio de Janeiro. Ainda há interesse em criar espaços no Brasil?

É de total interesse. Eu realizei mais de 15 viagens ao Brasil nos últimos sete anos. Já falei com seis diferentes cidades no País. Se você me pergunta se temos interesse, sim temos muito interesse, 100%. Estamos perto de ter uma corrida no Brasil na temporada 9? Eu te digo que estamos mais próximos do que nunca. Com sorte, teremos uma corrida em nosso calendário, mas ainda tem muitas coisas que precisam acontecer. Mas se tudo ocorrer bem, em junho (ainda não sei o calendário, risos), terá uma corrida no Brasil.

Pode nos dizer algumas coisas que precisam ser feitas para que a corrida aconteça?

Primeiramente precisa acontecer um esforço por parte das cidades Um estádio que nos comporte, que estamos procurando a viabilidade que consiga receber um evento de Fórmula E. De novo, estamos correndo no coração da Cidade do México. É difícil encontrar o espaço. Só para receber um evento nosso, precisamos de quatro metros a mais de pista, com uma extensão também um pouco maior. Não conhecemos prédios, regras de trânsito, não subimos sobre calçadas… não sabemos nada. A superfície plana também é importante. A maioria das cidades que vamos ao redor do mundo não têm isso. É um desafio encontrar um local para a Fórmula E. Mas, nós temos bons lugares no Brasil.

Como você bem disse, a Fórmula E é o futuro quando pensamos em tecnologia e sustentabilidade. Que mensagem a FE gostaria de mandar com relação a energia limpa e esportes de alto rendimento?

Eu acho que emergência é a chave. Somos o primeiro esporte, mas não o único, a pensar nos problemas ambientais. Como chegamos nessa tarefa ambiental é muito importante. Você pode não ser sustentável e ser extremamente eficiente, mas esse não é um carro da Fórmula E. Nós tentamos mostrar que eficiência é a coisa mais importante que podemos brigar. Na Fórmula E há logística. Em tudo que nós fazemos, absolutamente tudo (apontou para a luz do teto) é eficiente e sustentável. Nós temos que tentar chegar ao menor nível de emissão possível e ser eficiente, e não fazer o contrário disso. Não é sobre gastar todos os recursos e ser eficiente. Isso não funciona para nós. No México, por exemplo, a energia que estamos usando aqui é totalmente sustentável. É tudo de energia eólica. Não é somente os carros, a lâmpada que você vê aqui hoje é, novamente, eficiente e sustentável.

Que mensagem você gostaria de passar aos fãs de automobilismo ao redor do mundo, especialmente no Brasil?

Para os brasileiros, estamos ansiosos para estarmos aí. Esperamos ter uma corrida muito legal o quanto antes. Sabe, Rio de Janeiro foi a primeira cidade desde sempre no calendário da Fórmula E. O primeiro país, a primeira cidade com quem sentamos para conversar foi o Rio de Janeiro. Infelizmente, não pudemos fazer a corrida lá. O prefeito foi fantástico, mas ele não entendeu realmente o quão complicado seria para nós e para ele para receber um evento de Fórmula E. Falamos com policiais e autoridades responsáveis e chegamos à conclusão que seria impossível usar as ruas para uma corrida. Nós colocaríamos a cidade toda em colapso. Mas agora, após tantos anos, nós estaremos aptos a fazer uma corrida lá com vocês. Estou muito feliz com isso.

Agência Estado

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