Marília

Braille e tecnologia ajudam a melhorar a vida de deficientes visuais em Marília

Professor Nelson Santos Caunetu se formou em pedagogia e se especializou no ensino do Braille (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Lembrado na última quarta-feira (4), o Dia Mundial do Braille, método de leitura para deficientes visuais, merece um espaço no cotidiano das pessoas, principalmente, pela revolução ocasionada desde que o sistema foi adotado. O impacto na vida de quem precisa é nítido aos olhos de toda a sociedade.

A iniciativa faz parte de três pilares fundamentais para garantia da autonomia de pessoas cegas ou com baixa visão, que conta ainda com a mobilidade e a acessibilidade na tecnologia. Em Marília, muito precisa ser feito para garantir a independência deste público, que apenas quer os próprios direitos.

Morador de Echaporã (distante 41 quilômetros de Marília), Gerson Bezerra e Silva, de 43 anos, se desloca toda semana para Marília, pois faz parte das equipes de natação e atletismo da Associação Mariliense de Esportes Inclusivos (Amei). Ele conta que treinava em Assis (distante 74 km de Marília), mas com a pandemia, resolveu fazer as atividades em Marília.

Em Assis, ele tinha maior autonomia, já que a rodoviária da cidade possuía piso tátil, diferente de Marília, que não conta com o recurso para deficientes visuais. Ele conta que já reclamou sobre o problema de acessibilidade, mas até hoje não foi atendido.

“Eles precisavam colocar o piso tátil na rodoviária. Você chega de ônibus e desembarca na plataforma, mas tem todo um caminho para chegar até a área onde ficam os táxis. Um piso tátil seria muito importante tanto para mim quanto para outras pessoas. Hoje eu pratico esportes em Marília, mas quando fazia em Assis, lá na rodoviária tem e eu andava muito bem lá dentro. Comecei a competir representando Marília e tenho essa dificuldade”, conta Silva.

Ele explica que chega às 7h30 e, por volta das 11h, retorna para Echaporã. Antes de perder a visão, Silva morava em São Bernardo do Campo. Decidiu se mudar para uma cidade tranquila do interior assim que começou a ser acometido. Ele optou por onde tinha familiares e já conhecia, por sempre passar as férias.

“Eu não nasci sem a visão, eu perdi com o tempo. Morava em São Paulo e vim para Echaporã. Se tem o piso tátil, eu me viro. Quando não tem, preciso ficar perguntando para as pessoas. Tem gente que ajuda e gente que não. Eu já disse que ia parar de treinar, pois acho chato eles terem que ficar me levando na rodoviária. Saindo da Amei, eu consigo ir até a rodoviária, mas o duro é lá dentro”, explica o competidor.

Gerson Silva chegou a começar um curso para aprender Braille, mas acabou desistindo. Ele diz que, com a tecnologia, existem muitos recursos de acessibilidade para os deficientes visuais. Sejam aparelhos celulares ou mesmo audiobooks que garantem a leitura.

“Quem nasceu com a deficiência vai ser alfabetizado com o Braille, mas hoje, infelizmente, quase não se usa. Hoje tem aplicativo que você passa a câmera do celular nos produtos e ele fala para você. A tecnologia hoje tem facilitado. Tem muito livro falado também disponível para este público. Se você pegar dez pessoas com a deficiência visual, três ou quatro vão saber ler em Braille”, afirma Silva.

O professor Nelson Santos Caunetu se formou em pedagogia e se especializou no ensino do Braille. Ele dá aulas na Associação dos Deficientes Visuais de Marília (Adevimari), que funciona nas salas 2 e 3 do piso superior do Complexo Braz Alécio, onde também fica a Galeria de Artes e o Museu de Paleontologia de Marília.

O docente conta que os deficientes visuais não aprendem apenas o método Braille de leitura e escrita, mas também orientação de mobilidade e recursos tecnológicos. Caunetu destaca que a alfabetização em Braille é fundamental.

“Uma criança não aprende a mexer no celular e deixa de ir pra escola por não precisar ler e escrever. É a mesma coisa com o Braille. Temos um público de crianças que estão no processo de alfabetização e aprendem em Braille. Também ensinamos adultos que perderam a visão e quem mais quiser aprender. Além disso, ensinamos outros recursos que serão importantes na vida dessas pessoas”, salienta.

O professor explica que o ensino para quem perdeu a visão ao longo da vida é importante. Trata-se de um processo de reabilitação para a vida diária, abrangendo vários aspectos. A Adevimari retoma as aulas para os estudantes no mês de fevereiro.

“Para quem perdeu a visão, fazemos uma reabilitação para a vida diária, abrangendo vários aspectos. Ensinamos, por exemplo, como ela vai usar um fogão. Atualmente, contamos com cinco crianças cegas, da faixa etária de zero a dez anos. O restante do nosso público é de dez a 15 anos e também os adultos”, revela Caunetu.

A Adevimari conta com um acervo de aproximadamente 200 livros. Ela está aberta de segunda a sexta, das 8h às 17h, nas salas 2 e 3 no piso superior do Complexo Braz Alécio, na avenida Sampaio Vidal, número 245, no Centro de Marília. O telefone para contato é o (14) 3432-2111.

Alcyr Netto

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