Em medida polêmica e inédita no País, a prefeitura de Betim, na Grande Belo Horizonte, decidiu aplicar, a partir de hoje, a vacina da Pfizer contra a covid-19 em estudantes de 12 a 14 anos da rede pública municipal. A mudança de rumo em relação ao Programa Nacional de Imunização, que orienta a vacinação com base nas idades mais avançadas e em grupos com comorbidades, ocorre quatro dias após a autorização pela Anvisa de uso do imunizante da Pfizer em adolescentes de 12 a 15 anos.
“Na escala de grupos de risco, nós estamos em dia em Betim. Recebemos um lote de 6 mil doses que correspondem a cerca de 50% do grupo do ensino fundamental. Estamos prevendo receber outro lote na próxima semana, decidimos reservar esses lotes da Pfizer, única homologada para essa idade de 12 a 14 anos, para poder garantir a volta às aulas 100% segura”, disse ao Estadão o prefeito Vittorio Medioli.
A medida recebeu críticas. Consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a professora Raquel Stucci, da Unicamp, condenou o que chama de “descontrole na política de vacinação no País” e achou a ação “equivocada”. “É certo que nós temos um total descontrole na imunização no País, há municípios que não completaram nem a primeira dose nos grupos de risco. A impressão que eu tenho é de que a cidade optou por desviar (vacinas). Acho que estão absolutamente equivocados sobre a importância dessa faixa etária como prioridade para vacinação”, disse a infectologista.
O prefeito negou que esteja ocorrendo um “desvio” de doses e garantiu que a vacinação dos outros grupos não parou. Medioli acrescenta que sua meta é “uma volta às aulas 100% segura”. A expectativa do município é vacinar todos os 18 mil alunos com a primeira dose em três semanas. O retorno semipresencial dos alunos às escolas de Betim está programado para agosto.
Em discussão
Em nota, o Ministério da Saúde informa que “a ampliação da vacinação para adolescentes a partir dos 12 anos, com o imunizante da Pfizer, está em discussão na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis”. O texto reforça que, neste momento, a prioridade é vacinar todos os grupos prioritários estipulados no plano nacional, mas os gestores locais do SUS têm autonomia para seguir sua a estratégia de vacinação.
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