O traficante foi condenado por ter chefiado rebelião ocorrida em 2002, no Presídio de Segurança Máxima de Bangu 1, na zona oeste do Rio, que culminou na morte de Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê, na época líder da facção criminosa Terceiro Comando (TC), rival da facção Comando Vermelho (CV), chefiada por Beira-Mar.
O traficante também foi condenado pelo assassinato de mais três traficantes da facção rival: Carlos Alberto da Costa (Robertinho do Adeus), Wanderlei Soares (Orelha) e Elpídio Rodrigues Sabino (Pidi). A defesa já anunciou que vai recorrer da sentença.
No final do julgamento, pouco depois das 1h, o traficante foi levado de helicóptero para o Riogaleão – Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador. De lá, seguiu em avião da Polícia Federal para o Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia, onde cumpre pena, depois de ter passado um período no Presídio de Segurança Máxima de Catanduva, no Paraná.
Antes deste novo julgamento, Beira-Mar, no Rio de Janeiro, já tinha nove condenações somando 133 anos e 6 meses de prisão. O traficante tem condenações também em outros estados e responde a processos por lavagem de dinheiro, contrabando e associação para o tráfico internacional de drogas.
Depoimento
Fernandinho Beira-Mar, assumiu pela primeira vez nesta quarta ter sido traficante de drogas neste julgamento. A afirmação ocorreu durante seu depoimento de defesa. E destoou das qualificações que declarava anteriormente. Beira-Mar costumava se apresentar como pecuarista ou comerciante. “Era matuto (responsável por abastecer as facções com armas e drogas). Era pecuarista graças às vendas de entorpecentes”, afirmou.
No depoimento prestado, Beira-Mar se mostrou muito articulado e pediu para se defender diante do juiz Fabio Uchôa e de promotores. O traficante disse que não matou ninguém e que o nome dele “dá Ibope”. “Estou aqui por causa do meu vulgo. Meu nome justifica tudo. Não há indício contra mim”, disse ele.
Na denúncia, o MP relata que Beira-Mar liderou a ação matando rivais numa disputa entre facções. Entre as testemunhas de defesa está Celso Luis Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém. Apesar de ser membro da ADA, ele foi poupado do ataque na penitenciária. Em seu depoimento, o traficante negou que Beira-Mar tenha participado dos ataques. E disse não ter visto quem assassinou seus companheiros de facção. “Fiquei com dívida. Fiquei vivo. O cara não me fez mal”, disse.
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