A Amazon anunciou nesta quarta, 10, que congelará por um ano no uso policial de seu software de reconhecimento facial, uma unidade de negócios que defendeu por muito tempo. A pausa ocorre na esteira de protestos globais contra a brutalidade de agências de segurança aplicada a negros.
A companhia afirmou em um comunicado que vem trabalhando para que leis sejam criadas a fim de garantir o uso ético do software. “Esperamos que essa pausa dê ao congresso tempo suficiente para implementar regras aproriadas, e permanecemos à disposição caso ajuda seja solicitada”, diz o documento.
A decisão é o desfecho de uma batalha de dois anos entre a Amazon e defensores de liberdades civis, que expressam preocupações sobre como identificações erradas podem levar a prisões injustas. A morte de George Floyd, que morreu no mês passado asfixiado sob o joelho de um policial, causou preocupações de que o reconhecimento facial seria usado injustamente contra manifestantes.
De fato, pesquisas já mostraram falhas no Rekognition, serviço de reconhecimento facial da empresa. Em uma delas, o programa falhava ao tentar identificar o gênero de pessoas com a pele mais escura.
O congresso dos EUA vem estudando possíveis regras para a tecnologia há meses. Na segunda, 8, a IBM escreveu aos legisladores para comunicar que deixará de oferecer serviços de reconhecimento facial. A Microsoft já declinou contratos e apoia regulação, embora não tenha congelado o seu programa.
Nicole Ozer, diretor de tecnologia e liberdades civis União Americana de Liberdades Civis, elogiou a Amazon, mas pediu por uma pausa sem data para acabar. “Reconhecimento facial dá a governos um poder sem precedentes para nos espionar”, escreveu em comunicado. “Pedimos a Microsoft e outras empresas para acompanharem a IBM, Google e Amazon em direção ao lado correto da história”, afirmou. A Microsoft não comentou a nota.
Segundo o site The Information, vendas para o setor privado do Rekognition representaram apenas US$ 3 milhões da receita de US$ 25,7 bilhões da divisão de nuvem da companhia. A Amazon, porém, afirmou que continuará a permitir o uso de sua tecnologia por clientes que ajudam agências de segurança a encontrar vítimas de tráfico humano.
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