Polícia

Vídeos mostram garota de programa sendo agredida por grupo

Dois vídeos que estão circulando nas redes sociais mostram uma agressão cometida contra uma garota de programa, aparentemente transexual, no início da rua Quinze de Novembro, no bairro Somenzari, zona Oeste de Marília.

De dentro de um automóvel, rapazes ainda não identificados acionam um extintor na direção da vítima, que é surpreendida pela atitude covarde. Não houve registro de boletim de ocorrência sobre o caso, mas a violência contra esse público, infelizmente, tem sido muito comum em todo o país. Imagens sobre o lamentável episódio têm circulado nas redes sociais.

O primeiro vídeo mostra o veículo se aproximando da garota de programa. Quem faz a filmagem está no banco de trás. Um dos rapazes faz um elogio, enquanto a garota de programa, que está mexendo no celular, faz um sinal negativo com o dedo, dizendo algo que não é possível ouvir e voltando a olhar para o aparelho telefônico.

Neste momento, o passageiro do banco da frente aciona o extintor em direção ao rosto da vítima. Eles começam a xingar a garota de programa e dar risadas. No segundo vídeo, aparentemente os agressores retornam com o carro e acionam o extintor novamente, tentando acertar a vítima, gritando “vai morrer, vai morrer”.

A garota de programa corre para o outro lado da rua, tentando fugir das agressões, enquanto o carro deixa o local, com os ocupantes dando risada. O vídeo foi compartilhado em vários grupos de WhatsApp, provocando a revolta de muitos que assistiram as cenas lamentáveis registradas em Marília. Os autores da agressão não foram identificados e não houve registro de boletim de ocorrência. Não foi possível confirmar a data do ocorrido.

De acordo com a assessora de gabinete da Secretaria de Direitos Humanos de Marília, Luciana Santos, esse tipo de agressão se trata de uma questão cotidiana, principalmente para as transexuais que fazem programa.

“Recebemos as denúncias e encaminhamos para o Ministério Público e órgãos competentes, mas também estamos fazendo um trabalho de inclusão, para saírem dessas condições e ingressarem no mercado de trabalho. O Brasil é um dos países mais violentos contra transexuais e Marília não é diferente. Elas não estão nessa vida por escolha. É a sociedade que impõe isso. Muitas não conseguem terminar os estudos, não têm acesso aos cursos profissionalizantes e acabam indo para as ruas”, afirma Luciana.

Com o recebimento do vídeo, a Secretaria de Direitos Humanos de Marília espera identificar os autores da agressão, para encaminhar a denúncia ao Ministério Público. As denúncias podem ser feitas para o disque 100, de forma anônima, para que os agressores sejam identificados e punidos pela atitude praticada.

Alcyr Netto

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