Marília

Unesp decreta luto por morte de professor

Sérgio Augusto Domingues com o microfone na mão

Faleceu nesta segunda-feira (27) em Marília, o professor Sérgio Augusto Domingues, conhecido como “Sérgio Krahô” devido ao seu intenso envolvimento em pesquisas etnográficas com esta comunidade indígena, docente do Departamento de Sociologia e Antropologia (DSA) da Unesp de Marília.

Segundo apurou a reportagem, Sérgio Krahô tinha problemas no fígado e foi internado com uma hemorragia no último sábado. O antropólogo deixa companheira, filhos e netos.

Pesquisador em Etnografia Indígena e professor de Antropologia da Unesp em Marília, Sérgio Domingues ingressou na Unesp em 1994 e desde então dedicou-se sistematicamente ao ensino e à pesquisa sobre etnologia indígena. Também foi professor na Universidade Federal do Paraná e na Universidade Federal do Mato Grosso.

Trabalhou no Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e na Funai e viveu com os Krahô no Tocantins e com os Xavante no Mato Grosso, expressando em sua atividade acadêmica a experiência etnográfica.

Em suas palavras, “a etnografia pode ser usada por qualquer cientista social. Não é uma exclusividade dos antropólogos. Por certo, começou na antropologia a vontade de coletar dados sobre populações supostamente ágrafas e que estavam desaparecendo rapidamente. Mas hoje ela é um dos métodos que qualquer cientista social pode recorrer. Sem contar que hoje existe todo um movimento na antropologia que considera a etnografia, a teoria em ação. Eu sou um dos que considera a etnografia uma teoria em ação. A minha experiência como indigenista (coisa que de um modo geral os antropólogos não são hoje), mas que Darci Ribeiro foi, e outros; isto é, viver e trabalhar entre os índios como funcionário do Estado, ou então, como um funcionário de uma ONG, como foi o meu caso, é militar por esta sofisticação que o território brasileiro oferece ao mundo que é a sociodiversidade”.

Por ter vivido no percurso de 10 anos entre os Krahô e por continuar visitando as suas aldeias, perfazendo com isto, mais de trinta anos da sua vida em interação com os Krahô, Domingues acreditava ter alguma coisa para ensinar sobre como fazer uma etnografia.

O lema de seu projeto pedagógico era “mergulhar no grupo social que escolheu para pesquisar e ali viver algum tempo para poder perceber uma semiótica, não sígnica, ligada aos afetos, e aos modos metafóricos do pensamento indígena. Um modo de viver”.

“Eu creio que hoje uma boa parte das pesquisas etnográficas ficam somente na pesquisa extensiva. Discípulo de Darci Ribeiro, sempre levei em consideração o tempo de amadurecimento de um processo etnográfico complexo. É só o tempo quem tece os fios de uma experiência delicada como esta de viver com os outros”, acreditava o antropólogo.

Além de introduzir o universo indígena brasileiro aos seus alunos de graduação em Ciências Sociais, o professor desenvolveu pesquisas em torno da recepção e do olhar indígena sobre as imagens, particularmente, a linguagem cinematográfica.

Desenvolveu pesquisas sobre o cinema indígena e o cinema sobre os indígenas. Ressaltando reflexões sobre Antropologia Política, Antropologia do Cinema Indígena e Antropologia da Educação Indígena.

Publicou artigos sobre o universo cultural, sujeitos e saberes na Educação Indígena e, mais recentemente, participou da elaboração de um curso de licenciatura para professores indígenas que atuam em áreas indígenas no Estado de São Paulo.

A Diretoria da Unesp de Marília soltou nota em que se diz “profundamente consternada” e decretou luto oficial de três dias em decorrência do falecimento do docente.

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