A Justiça de Marília condenou três pessoas a sete anos de prisão por um assalto contra uma universitária de 19 anos, ocorrido em setembro de 2025, no centro da cidade. O caso ganhou repercussão à época devido à reação da mãe da jovem, uma auxiliar de limpeza que perseguiu um dos envolvidos após o crime.
A decisão da 1ª Vara Criminal, sob a titularidade da juíza Josiane Patricia Cabrini Martins Machado, foi publicada na última terça-feira (26) e fixou as penas para dois homens e uma mulher. A sentença estabelece o cumprimento inicial em regime semiaberto para os principais condenados.
Ameaça no centro
A vítima, uma universitária de 19 anos que trabalha como operadora de telemarketing, caminhava em direção ao Terminal Urbano por volta das 7h.
Ela havia acabado de ser deixada pela mãe, uma auxiliar de limpeza, nas proximidades da Maternidade Gota de Leite.
No trajeto até o terminal, onde embarcaria em um ônibus, a jovem foi abordada por um homem identificado posteriormente como o jardineiro Lucas Araújo dos Santos, de 25 anos.
Segundo os autos, ele encostou uma faca na perna da vítima e exigiu o celular. Sob ameaça, a estudante entregou o aparelho, um Xiaomi Redmi, e correu para pedir ajuda à mãe, que ainda estava nas proximidades e seguia para o trabalho.
Instinto materno
Ao saber do assalto, a auxiliar de limpeza iniciou uma perseguição ao criminoso com sua motocicleta. Durante a tentativa de localizá-lo, ela pediu ajuda a um agente de trânsito que estava nas proximidades. Conforme relatou, o servidor orientou que acionasse o telefone 190, sem intervir diretamente.
Sem desistir, a mãe continuou acompanhando o suspeito e encontrou apoio de um policial à paisana, que auxiliou no monitoramento até a chegada das equipes da Polícia Militar.
A PM localizou o autor do roubo nas proximidades de um colégio, mas ele já não estava com o celular. O homem confessou ter repassado o aparelho e a faca utilizada no crime a um casal que o aguardava nas imediações.
A dupla, identificada como Lucas Vinícius Rocco e Kris Aline Utida, foi abordada perto do Terminal Urbano.
De acordo com os autos, a mulher carregava uma caixa de papelão preenchida com folhagens para esconder os objetos. No momento da abordagem, ela teria apresentado comportamento agressivo e tentado alcançar a faca que estava na caixa. Para contê-la, os policiais utilizaram uma arma de incapacitação elétrica (taser) e algemas.
Em juízo, os dois homens confessaram que planejaram o roubo naquela manhã para obter dinheiro para a compra de drogas. Lucas Vinícius admitiu ter fornecido a faca usada pelo comparsa na ação criminosa.
Embora a defesa tenha sustentado que a mulher desconhecia o plano, a magistrada entendeu que ela participou da empreitada criminosa, destacando que foi vista com o grupo antes do assalto e auxiliou na ocultação dos objetos.
Os três réus foram condenados por roubo majorado pelo concurso de pessoas e pelo uso de arma branca. A pena foi fixada em sete anos e um mês de prisão para os dois homens, em regime inicial semiaberto.
A mulher também recebeu pena adicional de dois meses, em regime aberto, pelo crime de resistência. A juíza negou aos condenados o direito de recorrer em liberdade, citando a gravidade da conduta e a necessidade de preservação da ordem pública.
O celular foi recuperado e devolvido à estudante ainda no dia do crime.
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