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TJD diz que Timão perderá por W.O. se não entrar em campo

Esportes
12 de abril de 2019

Antonio Olim, presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (Foto: Mauricio Garcia de Souza)

O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP), Antonio Olim, afirmou que o Corinthians perderá por W O. se não entrar em campo na decisão do Campeonato Paulista. A declaração foi feita após o departamento jurídico do clube enviar ofício à Federação Paulista de Futebol (FPF) e à Polícia Militar avisando que não jogará a final caso o seu ônibus seja apedrejado a caminho do estádio do Morumbi.

“É uma guerrinha entre times”, afirmou Olim ao Estado. “O Corinthians tem de entrar (em campo). Se não entrar, vai com derrota para o outro jogo. Vamos cumprir a lei. É W.O.. A não ser que aconteça um baita desastre, se machuque gente… Mas duvido que o Corinthians não conseguirá chegar ao estádio”, declarou.

Olim disse que a responsabilidade pela segurança nos arredores do estádio é da Polícia Militar. “O Tribunal não vai se pronunciar sobre eventuais incidentes fora. Se for dentro, se houver briga entre torcedores dentro do estádio, aí tomaremos providências”.

A Polícia Militar se reunirá com a FPF nesta sexta-feira para informar o número de policiais que fará a segurança e a estratégia que será adotada para evitar qualquer problema na chegada do Corinthians.

“Acredito que não haverá problema. A segurança será reforçada. E o torcedor o São Paulo não vai querer fazer nada, porque tem a volta, o time dele vai ter de jogar em Itaquera depois”, comentou Olim.

O presidente do TJD-SP também acredita que o Corinthians entrará em campo. “Não é perfil do clube nem do presidente fazer isso (não jogar). Não vai acontecer isso. O Corinthians não vai querer essa dor de cabeça”, comentou. “Repito, acho que é uma guerrinha de clubes para dar audiência. Vamos para o sério. O torcedor sabe que se for pego vai ter de tomar conta de bombeiro, ficar na porta de pronto socorro, porque essas têm sido as penas”, declarou.

O Corinthians enviou ofício porque o seu ônibus foi apedrejado na chegada ao Morumbi nos dois últimos anos. Também foi alvejado em 2013 e em 2009. Na quarta-feira, torcedores do Palmeiras apedrejaram o ônibus do próprio clube. Ao ser questionado sobre esses episódios, Olim contemporizou.

“O Tribunal não pode fazer nada sobre isso. Nosso compromisso com segurança dentro do estádio. Se acontecer (de ser apedrejado), cada um cumpra sua palavra. Não tenho nada a ver com isso. A Polícia vai dar toda segurança. Acho que também o presidente do São Paulo vai pedir para seus torcedores respeitarem”, finalizou.

Lado Corintiano

“Nosso intuito é evitar novas agressões”, declarou o diretor jurídico do Corinthians, Fábio Trubilhano, à reportagem. “É algo que está ocorrendo. Não se pode admitir em uma sociedade civilizada, em um evento desportivo que acontece para agradar a população, dar alegria se tornar cenário de violência”, prosseguiu. O São Paulo ainda não se pronunciou sobre a decisão do rival.

Trubilhano disse que ainda não dá para dimensionar o que pode acontecer se de fato o Corinthians não entrar em campo. “Se acontecer (a agressão), espero que não aconteça, teria de ser apreciado pelo órgão competente para avaliar e colocar a solução Já vimos que aconteceu até mesmo de fazer jogos fora do continente. É difícil fazer previsão. Depende da gravidade. Se quebra o vidro e lesiona o jogador será algo muito grave”, comentou.

No ano passado, o veículo da delegação do Boca Juniors foi apedrejado quando se dirigia ao estádio do rival River Plate, o Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, para a decisão da Copa Libertadores. Na ocasião, jogadores do time visitante ficaram feridos, a partida foi adiada por duas vezes e acabou sendo realizada em Madri, no estádio Santiago Bernabéu.

O advogado do Corinthians acredita que o ofício pode ajudar a inibir qualquer tentativa de violência. “Espero que sim. Mesmo aqueles que são agressivos querem assistir ao jogo. Pelo menos é o que entendemos, o senso comum”, disse. Segundo ele, já há uma legislação para combater esse tipo de crime. “Mas o problema é que a Justiça fica refém do cara encapuzado que foge, como estamos reféns da criminalidade. A punição depende de apuração, identificação”.