O presidente da Republica, Michel Temer durante cerimonia de posse dos dois mais novos ministros do governo, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), para a Justiça e Segurança Publica, e do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), para as Relações Exteriores, no Palacio do Planalto. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO
Na estratégia de rebater uma eventual segunda denúncia a ser apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente Michel Temer pretende fazer um pronunciamento político assim que a peça for apresentada. De acordo com um de seus auxiliares, ele deve subir o tom do discurso.
No campo jurídico, Temer sofreu na quarta-feira, 13, duas derrotas no Supremo Tribunal Federal (STF): a Corte rejeitou declarar como suspeito o procurador-geral Rodrigo Janot e adiou para a próxima semana a suspensão de uma eventual segunda denúncia.
Com isso, a Justiça deixou aberta uma janela para que Janot denuncie Temer novamente antes do fim de seu mandato na PGR. Temer participa da solenidade de posse da nova procuradora-geral, Raquel Dogde, na manhã de segunda-feira, dia 18, antes de viajar para os Estados Unidos.
O discurso do presidente deve repetir a tese de que o delator Lúcio Funaro mente e não merece credibilidade, assim como as gravações dos empresários da JBS. Janot também deve ser alvo. A ideia é dizer que o procurador-geral se aproveita de Funaro para deixar um legado e tentar salvar sua imagem depois da divulgação de uma foto em que aparece sentado à mesa em um bar de Brasília ao lado do advogado Pierpaolo Bottini, que atua para a JBS.
Assessores de Temer dizem acreditar que Janot tentará vincular as declarações de Funaro a de outros delatores para acusar Temer de atuar, de forma contínua, em uma organização criminosa. Assim, conseguiria justificar a denúncia, porque os fatos relatados pelo corretor são anteriores à data em que o peemedebista assumiu a Presidência.
Temer repetirá, com essa estratégia, o que fez por ocasião da primeira denúncia contra ele. No fim de junho, ele afirmou que a acusação era uma “ilação” da Procuradoria e mirou no ex-procurador da República Marcelo Miller, que auxiliava Janot e teve um pedido de prisão negado pelo Supremo, dizendo que recebera “milhões” para sair do Ministério Público e trabalhar na defesa do frigorífico JBS. O presidente chegou a insinuar que o dinheiro não fosse unicamente para Miller e que poderia ter beneficiado Janot, embora tenha negado essa intenção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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