Marília

TCE julga pedido de reexame e mantém contas de 2016 rejeitadas

Camarinha teve contas rejeitadas em 2014, 2015 e 2016 nas análises técnicas; ex-prefeito conseguiu reverter duas até agora (Foto: Divulgação/Assembleia Legislativa)

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), em sessão realizada na última quarta-feira (9), negou recurso do ex-prefeito e deputado estadual Vinícius Camarinha (PSB) e manteve rejeitadas as contas municipais referentes a 2016. Se confirmada pela Câmara Municipal, a rejeição pode gerar inelegibilidade.

O pedido de reexame foi interposto contra parecer prévio desfavorável à aprovação das contas, emitido pela Segunda Câmara e publicado em dezembro de 2018.

Na sessão do dia 2 deste mês, a defesa do ex-prefeito fez sustentação oral na sessão do Tribunal Pleno – no qual participam todos os conselheiros do TCE. Houve pedido de vistas do conselheiro Antônio Roque Citadini e a decisão foi adiada.

Já nesta semana, a Corte concluiu o julgamento. Citadini manteve a rejeição, acompanhando o relator.

A análise de contas apontou falta de recolhimento da parte patronal dos encargos sociais ao Instituto de Previdência do Município de Marília (Ipremm) de fevereiro a dezembro de 2015 e de todo o exercício de 2016 – quase metade do mandato.

Vinicius alegou que o endividamento previdenciário patronal foi repactuado com o Instituto, através da Lei Municipal que aprovou o parcelamento.

Vale lembrar que a aprovação do parcelamento aconteceu em 2017 – quando a Prefeitura já tinha nova gestão. Na prática, Vinicius deixou o cargo antes que a solução do problema estivesse encaminhada, com aprovação da “rolagem da dívida” pela Câmara.

O ex-prefeito já havia tentado reverter a rejeição de contas, em recurso que comprovou o parcelamento.

“A despeito da fundamentação do pleito e documentação juntada aos autos me parece, a princípio, plausível o inconformismo do ex-prefeito”, escreveu o conselheiro Renato Martins Costa ao analisar o recurso.

Histórico no TCE

TCE-SP faz análises e apontamentos, com resultados encaminhados ao Ministério Público e Câmara Municipal, onde pode haver consequências (Foto: Divulgação)

O prefeito Vinicius Camarinha teve as contas de 2013 – primeiro ano de gestão – aprovadas, mas houve abertura de autos apartados (processo específico), para apurar transferência de recursos à Associação dos Funcionários Públicos de Marília (ASPMM).

Sem nenhuma necessidade, mas autorizada por lei municipal, a entidade mediava a contratação do plano de saúde dos servidores com uma cooperativa médica que opera em Marília. A intermediação foi considerada irregular.

O exame das contas de 2014 teve parecer desfavorável, mas o prefeito acabou obtendo vitória em reexame do TCE. A irregularidade relativa aos repasses à Associação se manteve.

As contas do ano de 2015 também tiveram parecer prévio desfavorável – com nova recomendação para que o município deixasse de contratar a Associação de Servidores para mediar contrato de plano de saúde.

O pleno do TCE, no último recurso disponível, mudou a orientação do parecer. Entre as três prestações até então examinadas, a de 2015 foi o mais difícil para o ex-prefeito superar apontamentos desfavoráveis.

Chegou a haver polêmica na cidade se a Câmara de Marília deveria seguir as análises técnicas desfavoráveis para rejeitar as contas, ou considerar a vitória em último recurso do ex-prefeito.

Por 10 votos a três, em dezembro ano passado, os vereadores aprovaram as contas da Prefeitura de 2015, penúltimo ano do governo Vinicius Camarinha.

O mesmo deve acontecer com as contas de 2016 – esgotados os recursos na Corte – com o encaminhamento para o Legislativo.

Decisões políticas

Vale lembrar que, em última análise, são decisões políticas (pelos vereadores) que definem aprovação ou rejeição de contas, com possível inelegibilidade dos gestores públicos.

Os apontamentos do Tribunal, porém, são importantes para dar início ou robustecer apurações do Ministério Público. É o caso dos repasses – já julgados irregulares – da Prefeitura de Marília para a Associação dos Servidores contratar plano de saúde.

O caso já gerou, inclusive, investigação criminal, conforme mostrou o Marília Notícia em dezembro do ano passado. O prefeito Vinicius também teve contas rejeitadas, em análise específica das transferências à entidade.

Carlos Rodrigues

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