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Setembro Amarelo simboliza a luta de voluntários durante o ano

Cláudia e amiga durante uma manifestação para pedir apoio à prevenção do suicídio (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

Vestir o amarelo e falar abertamente sobre o suicídio, um tema ainda tabu para muitas pessoas no Brasil, é uma das coisas que vem se tornando tradição em setembro. Isso de deve à campanha Setembro Amarelo, criada em 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), em favor da prevenção ao suicídio.

A intenção é justamente abordar o assunto. De acordo com a página oficial da campanha, praticamente 100% dos casos de suicídio estão relacionados às doenças mentais – principalmente não diagnosticadas ou tratadas incorretamente.

Apesar de mês ter virado símbolo na luta contra o suicídio, o trabalho precisa ser feito todos os dias.

Acreditando que tudo o que essas pessoas precisam é de um ouvido e de palavras acolhedoras, muitas pessoas se voluntariam para prestar atendimento gratuito, o ano todo.

Depois de acompanhar de perto o drama vivido por alguns amigos, que sofriam com depressão, a assistente administrativa Cláudia Campos decidiu criar uma página de ajuda nas redes sociais.

“Em 2019, um amigo ingeriu uma quantidade grande de remédios, mas por sorte me contou. Eu consegui chamar o Serviço de Regaste e foi feita uma lavagem. Graças a Deus, hoje ele está bem e até ficou noivo”, disse Cláudia.

A página que ela administra se chama “Eu quero você vivo – Marília-SP”. Lá o seu telefone é divulgado, e é por meio dele que ela recebe diversos pedidos de ajuda.

“Às vezes a pessoa só precisa de alguém para conversar. Uma vez um homem da Bahia me ligou dizendo que estava querendo cometer suicídio. Fiquei a madrugada toda conversando com ele. Fui trabalhar com sono. Mas no outro dia, normalmente ligam para agradecer pela minha atenção”, contou.

CVV

Há 60 anos, e com mais de 40 milhões de atendimentos prestados, o Centro de Valorização à Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e voluntário através do telefone 188.

Quem está do outro lado da linha, não recebe nenhum centavo pelo trabalho, mas garante que é recompensador.

“Eu entrei no CVV há nove meses, porque queria saber que estava fazendo alguma coisa para ajudar ao próximo. Já ouvi muitas histórias. Às vezes, a gente vê que a pessoa está no fim da linha mesmo, está super deprimida e não tem a quem recorrer. A gente conversa, faz uma escuta ativa, acolhe a pessoa, e no fim, percebemos que só de ser ouvida, isso melhora muito o estado dela. É gratificante”, afirmou a servidora pública e voluntária do CVV, Maria (por conta do sigilo que envolve o trabalho, ela não quis que seu sobrenome fosse divulgado).

Grupo de Prevenção ao Suicídio

Marília também conta com o Grupo de Prevenção ao Suicídio de Marília, que oferece palestras, rodas de conversas e atendimento psicológico social. São 40 profissionais voluntários, a maior parte psicólogos.

“Nós trabalhamos muitos casos vindos do HC, pós tentativa de suicídio, e com famílias que tem gerações de suicidas. É um trabalho para prevenção de outros casos. Para cada suicídio consumado, temos uma média de 25 tentativas. Se a gente cuida com acolhimento e escuta especializada, conseguimos prevenir que aconteça. As pessoas ao redor precisam estar alertas ao sinais, como isolamento e algumas falas que indicam esse sofrimento existencial”, afirma a psicóloga e coordenadora do grupo, Luciana Handa.

O grupo também possui um projeto de Acolhimento aos Sobreviventes Enlutados por Suicídio, que  trabalha com os familiares e amigos que perderam pessoas queridas por suicídio.

Por conta da pandemia, o serviço, que era oferecido em grupo, agora funciona de forma individual (ou online).

Para outras informações dos projetos, basta entrar em contato pelo WhatsApp. O novo número é o (14) 9-8173-8246.

OUTROS PONTOS DE AJUDA

  • Na unidade de saúde do seu bairro: segunda a sexta das 7h às 17h
  • Caps Infantil Catavento (menores de 18 anos): acolhimento de segunda a quinta às 7h ou às 13h
  • Caps Com-viver (adultos): acolhimento de segunda a sexta às 7h
  • Pronto-socorro psiquiátrico do HC: 24 horas
Michele Correia

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