Marília

Servidora acusada de ‘fake news’ diz estar arrependida

A servidora municipal acusada de induzir milhares de pessoas a erro e expor a Prefeitura de Marília, após propagar mentira em rede social – transformada em “fake news” por um blog da cidade – declarou arrependimento. A mulher vai cumprir 60 dias de suspensão. Decisão foi publicada neste sábado (30), pela Corregedoria Geral do Município, após processo disciplinar.

A polêmica aconteceu em novembro de 2017. Na época, a funcionária pública trabalhava no Centro de Referência da Assistência Social (Cras) Rosa dos Santos Modelli, na zona Sul da cidade. Ela gravou um vídeo manipulando restos de carne e enviou para um grupo de mensagens.

A servidora fazia suposto alerta e denúncia de perigo à saúde das crianças que, segundo a mensagem, consumiriam a carne imprópria, com excesso de gordura. O material enviado por ela foi base para publicações, com ataques à administração municipal e grande repercussão.

Mas, durante o processo disciplinar instaurado pela Corregedoria, a mulher confessou ter feito a gravação após entrar na cozinha e encontrar um colega fazendo justamente a limpeza da carne de panela que seria servida às crianças. O profissional extraía o excesso de gordura da peça.

Em depoimento, a mulher disse que “achou estranho o aspecto da carne e por isso perguntou ao colega [que fazia a manipulação do alimento] o que ele estava fazendo. O homem teria respondido que estava limpando a carne, o que causou uma desconfiança na servidora, mas que logo depois entendeu” o serviço do colega de trabalho.

A mulher disse ainda que “fez a gravação e ‘em um minuto de bobeira’ e acabou postando o vídeo em um grupo de WhatsApp”. A servidora, que não tinha mais antecedentes e conseguiu preservar o emprego, afirmou à Corregedoria que “se arrepende muito de ter feito isso, que jamais faria novamente, tanto que até tentou apagar o vídeo, porém este já estava circulando”.

O funcionário que manipulava a carne também foi ouvido. Ele reforçou que o limpar a carne é retirar a gordura em excesso, um procedimento normal no trato com o alimento. Disse ainda que achou que a colega estava brincando.

O homem acrescentou também que, em momento posterior, a servidora retornou ao local e disse que havia “feito algo errado”, mas que não conseguia mais voltar atrás.

Na época, a equipe de comunicação da Prefeitura esteve no Cras da zona Sul e fez um vídeo, em que mostrava o alimento preparado [após finalização] e reforçava a qualidade das refeições servidas. Entretanto, como sempre ocorre em casos de “fake news”, o material oficial acabou recebendo menor audiência que o viral – com a falsa acusação.

Carlos Rodrigues

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