Política

Senado resiste a aumento da CSLL, e líder sugere mais imposto para setor financeiro

Líderes do Senado Federal questionaram nesta quinta-feira (11) a proposta do governo de compensar a desoneração fiscal para setores e municípios por meio de “gatilho” que permitiria o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido). Uma das alternativas levantadas é que a medida se volte apenas ao setor financeiro.

“A tendência dos líderes é dizer que não aceitam [a alta na CSLL como fonte de compensação]”, afirmou a jornalistas o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), relator do projeto de lei que formaliza o acordo para manter a desoneração fiscal de 17 setores da economia.

Na quarta (9), o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a ideia de aumentar a CSLL, tributo que incide sobre o lucro das empresas, em até 1 ponto percentual durante dois anos.

Pacheco e líderes do Senado insistem, porém, em outras alternativas: a repatriação de recursos no exterior (com recolhimento de Imposto de Renda), a atualização do valor de bens (como imóveis) na declaração do IR, um Refis para multas aplicadas por agências reguladoras, e a taxação do e-commerce até US$ 50.

O líder do MDB, Eduardo Braga (MDB-AM), afirmou que não seria justo “dar com uma mão” para 17 setores da economia e penalizar os demais. Ele defendeu a possibilidade de aumentar imposto sobre o setor financeiro como compensação.

“Temos que fazer esforço para que a compensação não seja feita com aumento de carga. Agora, se tiver que ter, que se discuta onde e como. Sugeriu-se, inclusive, o setor financeiro, que apresenta grande lucratividade mesmo em momentos de crescimento econômico baixo”, afirmou Braga.

“O que não pode parecer é que estamos entregando, com uma mão, para 17 setores, e tirando, com outra mão, de todos os setores. Apenas 17 setores são beneficiados pela desoneração. Não podemos aumentar a carga de todos os outros setores sem que antes tenhamos exaurido outras alternativas. O Senado está comprometido com a agenda fiscal”, disse.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), afirmou que não houve rejeição entre os líderes ao aumento da CSLL para o setor financeiro. O senador reforçou a necessidade de “fechar a conta” e disse que qualquer alta está sendo tratada como última alternativa.

“Isso está sendo trabalhado como última ratio [última alternativa]. Tanto o governo, quanto o presidente Pacheco, tanto o Congresso, não querem fazer uso desse serviço. Esgotadas as outras, se o conjunto das outras fontes não der conta, não resolver a conta da desoneração, a última ratio é encontrar alternativos deste ponto de vista”, disse.

A necessidade de compensação para o atendimento de regra prevista na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) foi o argumento utilizado pela União para pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão da desoneração em abril.

Entre os grupos beneficiados com a desoneração está o de comunicação, no qual se insere o Grupo Folha, empresa que edita a Folha de S.Paulo. Também são contemplados os segmentos de calçados, call center, confecção e vestuário, construção civil, entre outros.

Em maio, o ministro do STF Cristiano Zanin suspendeu por 60 dias a decisão proferida por ele em abril que restabeleceu, a pedido do presidente Lula, a reoneração da folha. Diante do prazo, governo e Congresso têm menos de dez dias para chegar a um acordo.

Randolfe também afirmou que não vê tempo hábil para aprovar o projeto de lei relatado por Wagner no Senado e na Câmara até 18 de julho (quando acaba o prazo de 60 dias). Diante deste cenário, segundo o senador, pode ser necessário pedir ao STF a prorrogação.

***

POR THAÍSA OLIVEIRA

Folhapress

Recent Posts

Justiça condena Marçal a pagar indenização a Boulos por desinformação

Influenciador digital e ex-candidato a prefeito da capital paulista Pablo Marçal (Foto: Instagram) O influenciador…

5 horas ago

Defesa Civil alerta para risco de chuvas fortes no Estado de São Paulo

A Defesa Civil do Estado de São Paulo divulgou alerta para risco de chuvas persistentes,…

5 horas ago

Governo libera mais R$ 4,6 bi para pagar saque-aniversário do FGTS

O governo federal libera, a partir desta segunda-feira (2), R$ 4,6 bilhões para pagamento da…

5 horas ago

Mulher é encontrada morta em residência; caso chama atenção para morte desassistida

Uma mulher de 58 anos foi encontrada morta dentro da casa onde morava, na rua…

6 horas ago

Ano letivo começa em escola com nove furtos nas férias e em unidade cívico-militar

Escola estadual Abel Augusto Fragata registrou nove furtos durante recesso escolar (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)…

6 horas ago

Prefeitura confirma exoneração de secretário Cesar Fiala nesta terça-feira

Secretário de Administração, Cesar Fiala, que deverá ser exonerado amanhã (Foto: Marília Notícia) A Prefeitura…

6 horas ago

This website uses cookies.