Marília

Risco de morrer de Covid em Marília é 18 vezes maior que de violência

Morte registrada por Covid (Foto: Wellington O dos Santos ‘Índio Fotos’ – Relatos de uma Pandemia)

A preocupação com a violência cotidiana, em suas diversas formas, é constante. Somente nos últimos 12 meses, 23 pessoas tiveram morte violenta na cidade. Porém, não existe a mesma preocupação em relação à maior crise sanitária da história no país, ainda que o risco de morte por Covid-19 em Marília, no mesmo período, foi 18 vezes maior.

O cálculo é simples e leva em consideração os números absolutos. Enquanto 23 pessoas perderam a vida, em circunstâncias que podem ser classificadas como violentas (homicídios, latrocínios, acidentes de trânsito), outras 417 morreram vítimas do coronavírus.

Os dados que apontam a criminalidade constam no site da Secretaria da Segurança Pública (SSP), que divulga os registros dos boletins de ocorrência. Já o número de mortes pela doença é acompanhado diariamente, em informativos da Vigilância Epidemiológica do município.

PROTEÇÃO

O uso de máscara e, principalmente, o distanciamento social é ignorado por parte da população. Independente da região da cidade, é comum encontrar pessoas sem o equipamento de proteção e em contato próximo com quem não é do mesmo núcleo familiar.

A realização de atividades que poderiam ser adiadas – considerado o alto risco de contaminação – como viagens de lazer, encontros em família com grande número de pessoas e passeios ainda são rotina para parte da população, que se expõe e arrisca entes queridos.

Nos últimos meses, a observação do novo perfil das vítimas da Covid-19 (inclusive mortos) revela uma mudança no comportamento do vírus. O que os cientistas classificam como mutação viral é que estaria por trás do aumento das internações e mortes de jovens, os mais expostos.

VARIANTES

Estudo de acompanhamento das variantes feito pelo Instituto Adolfo Lutz, atualizado no dia 4 de abril, indica que em 58,82% dos casos de Covid-19 na região de Marília está presente a variante surgida no Rio de Janeiro, identificada como P.2.

No levantamento anterior, divulgado pelo Marília Notícia ainda em março, esse percentual era de 60,6%. De origem manauara, a B.1.128. – segunda variante mais encontrada na regional – subiu de 9,09% para 20,59% dos diagnósticos positivos.

A mudança é observada de perto pelos especialistas que, por enquanto, veem a variante mais temida (também manauara), a P.1, com ligeiro recuo. No mais recente estudo, a presença caiu de 3,03% dos casos para 2,94%.

Carlos Rodrigues

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