Polícia

Mulher luta pela vida após complicações em parto; caso tem investigação policial

Após nascimento do bebê, paciente apresentou hemorragia (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Uma mulher de 34 anos está internada em estado grave no Hospital das Clínicas (HC) após sofrer uma série de complicações durante o parto realizado na Maternidade e Gota de Leite de Marília. O caso gerou revolta entre familiares e motivou uma denúncia à Polícia Civil. O bebê passa bem.

O Marília Notícia foi procurado por Thalita Correa, irmã de Beatriz Fernanda Corrêa Puchi Rosa. A família relata sucessão de intercorrências médicas, iniciada na manhã da última quarta-feira (10), e suspeita que falhas tenham contribuído para o agravamento do quadro.

Também são alvo de questionamentos as circunstâncias que levaram a paciente, portadora de comorbidade, a ser atendida inicialmente em uma maternidade sem estrutura de alta complexidade. “Nossa família está vivendo um dos momentos mais difíceis de nossas vidas”, disse a irmã.

Expectativa para o parto

Conforme o relato, a gestante tinha histórico de talassemia, doença genética e hereditária que causa anemias – caracterizada por alterações na síntese da hemoglobina (proteína que transporta oxigênio no sangue).

Beatriz também havia apresentado complicações em uma gestação anterior. Apesar desse histórico, foi encaminhada à Gota de Leite, unidade que não possui Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Na manhã de quarta, a mulher compareceu à maternidade e passou por exame de cardiotocografia, que apontou batimentos cardíacos fetais dentro da normalidade.

Segundo a denúncia, a paciente teria manifestado preferência pelo parto cesariano em razão de seu histórico clínico. A cirurgia teria sido programada para uma data posterior, mas a internação não ocorreu naquele momento, supostamente pela ausência de anestesista.

Durante a madrugada, após o rompimento da bolsa amniótica, Beatriz retornou à unidade com o marido e entrou em trabalho de parto. Apesar da previsão anterior de cesariana, o atendimento seguiu inicialmente com tentativa de parto normal.

Horas de dor e angústia

Familiares relatam que a paciente permaneceu por várias horas em trabalho de parto, com dores intensas. Há ainda a denúncia de que pedidos de reavaliação médica feitos pelo acompanhante teriam sido ignorados.

Com a troca de plantão, uma nova médica assumiu o atendimento e, diante da evolução da dilatação e da ocorrência de sangramento, teria indicado uma cesariana de urgência.

Após o nascimento do bebê, sem intercorrências e em boas condições de saúde, Beatriz apresentou uma hemorragia grave e precisou ser transferida ao HC.

Múltiplas cirurgias e retirada do útero

A puérpera chegou ao Hospital das Clínicas em estado crítico, com baixa oxigenação. Foram necessários procedimentos de reanimação, transfusões sanguíneas e cirurgias de emergência.

De acordo com a família, os médicos que passaram a atendê-la identificaram lesões internas graves, e o caso passou a ser tratado como gravíssimo, com elevado risco de morte.

Após novas intervenções cirúrgicas, a paciente foi colocada em coma induzido e permanece sob cuidados intensivos. Relatos sobre uma possível sutura inadequada envolvendo artéria, bexiga e intestino aumentaram a revolta dos familiares, que decidiram procurar a Polícia Civil.

O caso foi inicialmente registrado como lesão corporal culposa, crime previsto no artigo 129 do Código Penal. O companheiro da paciente e a irmã – que formalizou a denúncia – aguardam a evolução do quadro clínico e pedem a preservação integral da documentação referente ao atendimento prestado.

“Hoje, ela segue internada em estado grave, lutando pela vida, enquanto seu bebê permanece separado da mãe. Diante da gravidade, pedimos que os órgãos competentes realizem uma investigação rigorosa, responsabilizando quem for de direito”, apelou Thalita.

A Polícia Civil ainda não trabalha com uma possível autoria, mas deverá intimar as instituições envolvidas para prestar esclarecimentos e identificar os profissionais responsáveis pelo atendimento a Beatriz.

Outro lado

A Associação Feminina Maternidade e Gota de Leite diz que “a paciente recebeu toda a assistência preconizada pelo Ministério da Saúde, porém, ocorreu uma emergência obstétrica, sendo conduzida para o atendimento necessário, conforme os protocolos vigentes.”

Em nota, o HC informou que a paciente está internada na Unidade de Terapia Intensiva, recebendo todos os cuidados necessários por parte da equipe. “Todas as informações relativas ao estado de saúde e ao dados pessoais dos pacientes são tratadas com absoluto sigilo, sendo divulgadas exclusivamente aos familiares devidamente comprovados e em estrita conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei n° 13.709, de 14 de agosto de 2018), bem como com o sigilo médico profissional previsto no Código de Ética Médica.”

Marília Notícia

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