O acesso à cultura no Estado de São Paulo passou por transformações significativas nos últimos anos — mas, em algumas regiões do interior, os números revelam não apenas mudança, e sim avanço consistente no engajamento da população.
É o caso da região administrativa (RA) de Marília, onde a rotina de quem busca lazer e formação cultural tem ganhado novos contornos. A estudante Ana Beatriz Souza, de 19 anos, diz que passou a frequentar mais eventos e espaços culturais nos últimos dois anos. “Antes, eu quase não ia a teatro ou biblioteca. Agora, sempre que fico sabendo de alguma programação, tento participar”, relata.
Dados da mais recente pesquisa da Fundação Seade, com informações coletadas entre 2018 e 2025, ajudam a explicar esse movimento. Enquanto o Estado registrou uma queda expressiva na frequência aos cinemas — atingindo apenas 35% no último ano —, a RA de Marília se destacou positivamente em diversos indicadores de engajamento e consumo cultural, liderando ou figurando entre os primeiros colocados em várias categorias.
A categoria que engloba shows, espetáculos de música, dança, teatro e circo lidera a preferência dos paulistas. Nesse aspecto, segundo a pesquisa, a RA de Marília apresentou desempenho relevante: em 2025, metade de seus moradores (50%) participou de algum evento desse tipo — a maior proporção do Estado, empatada com Presidente Prudente e São José dos Campos.
A região também demonstrou valorização da leitura e dos espaços a ela dedicados. Enquanto a média estadual de frequência a bibliotecas permanece em 21% desde 2022, a RA de Marília registrou o maior índice de visitação, com 29% da população frequentando esses equipamentos culturais.
Esse hábito se reflete no consumo de literatura. Na região, 36% da população leu entre dois e cinco livros nos últimos 12 meses, superando a média estadual de 33%.
Formação cultural e o peso da gratuidade
O nível de conhecimento sobre oportunidades de formação artística também é elevado entre os moradores da região. Segundo o levantamento, 52% dos habitantes da RA de Marília afirmaram conhecer a oferta de cursos de artes — como música, dança, teatro e circo — em sua cidade ou região, um dos índices mais altos do Estado.
Em relação aos custos, 53% dos moradores do Estado participaram de atividades culturais gratuitas em 2025. Na RA de Marília, 27% da população usufruiu exclusivamente desse tipo de programação.
Para acessar esses eventos sem custo, o tradicional “boca a boca” exerce papel relevante. Na região de Marília, 34% dos moradores afirmaram ter tomado conhecimento dessas atividades por meio de amigos ou familiares — uma das maiores proporções de comunicação interpessoal do Estado para esse fim.
Fome por mais cultura
Apesar dos bons indicadores de engajamento, a população da RA de Marília ainda demanda maior oferta cultural. A própria estudante Ana Beatriz resume essa percepção. “A gente participa mais hoje, mas ainda faltam opções, principalmente durante a semana”, afirma.
No panorama estadual, 89% das pessoas disseram desejar mais atividades culturais em suas cidades ou regiões. Em Marília, esse índice chega a 90%, percentual também registrado em Franca e Santos.
Os dados da Fundação Seade indicam que o incentivo e a democratização do acesso à cultura — um direito assegurado por lei — encontram ambiente receptivo no interior paulista, especialmente em regiões como Marília, onde coexistem participação ativa e demanda ainda não plenamente atendida.
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