Marília

Professores do Estado são alvos de violência frequente

Em apenas dois meses deste ano Marília registrou oficialmente 12 casos de violência contra professores da rede estadual de ensino. Infelizmente, na realidade os casos podem ser ainda mais numerosos, pois existem chances de subnotificação.

O Marília Notícia teve acesso a informações sobre o tema obtidas com exclusividade pela agência de jornalismo independente Fiquem Sabendo, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Os dados levantados junto à Plataforma Conviva – Sistema Integrado de Registros Escolares mostram que em 2019 foram 14 ocorrências de violência contra professores estaduais na cidade.

No ano passado, foram três casos de agressão física, quatro casos de ameaça e sete agressões verbais. Em 2019, a maioria dos casos se deu na escola Professora Sylvia Ribeiro De Carvalho.

Referente a 2020, as ocorrências se concentram nos meses de fevereiro e março – todas referentes a agressão verbal. Só em fevereiro foram nove. A maioria delas ocorreu na escola Professora Reiko Uemura Tsunokawa.

Em março as aulas presenciais foram suspensas e as atividades transferidas para ambientes virtuais. Desde então, não constam registros de violência contra professores.

Relatos

Docentes da rede estadual ouvidos pelo MN confirmaram já terem vivido ou presenciado episódios de violência.

Um professor de 26 anos, que atua como efetivo na rede há um ano e meio, relatou ser frequente casos em que alunos danificam carros dos professores, grudam chiclete em seus cabelos e até passam cola em suas cadeiras.

“Existem vários contextos de violência na escola que a gente encontra no dia a dia, principalmente em escolas situadas nas periferias. Desde bolinhas de papel até agressões físicas mesmo”, comentou o docente.

“Mas o fato que mais me deixou espantado foi um momento em que uma colega de trabalho estava em sala de aula, quando dois alunos se desentenderam e ela foi tentar separar a briga, mas acabou sendo machucada com um estilete, desses que são feitos com lâmina de apontador e tubo de caneta esferográfica”, relatou.

Uma professora de 45 anos, que atua na rede estadual desde 2005, disse já ter sofrido diversas ameaças, apesar de se considerar muito querida pelos alunos.

“Enfrentamos vários tipos de violência na escola, verbalmente ou fisicamente, a falta de respeito como entrar na sala sem autorização, falar com o aluno e ele não responder”, relatou. “Indisciplina é constante e ocorre com todos os professores, diariamente, praticamente em todas as aulas do sexto ano ao terceiro ano do ensino médio”.

Ela afirma já ter visto vários professores saírem da sala de aula chorando e a violência não é apenas contra docentes.

“Uma vez um rapaz pulou o muro da escola, desceu pelo telhado, entrou em minha sala e agrediu um aluno com socos e chutes, sem falar nada, e fugiu”, detalhou.

Ela contou ainda que já fez um boletim de ocorrência contra um aluno, que teve a atenção chamada por entrar atrasado em sala, sem pedir licença, e cantando funk. O aluno teria saído gritando pelo corredor: “sua vagabunda, filha da puta, vou acabar com seu carro”.

A professora relatou também já ter visto uma aluna agredir um professor com um cabo de vassoura. “Outra vez chamei a atenção do aluno porque estava jogando baralho na aula ele se recusou a parar e também a sair da sala, chamei a direção. Ele se levantou da cadeira e mesmo com a direção junto, passou por mim e veio com a mão pra me dar um soco. Não acertou, mas saiu me xingando”, contou a docente.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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