Marília

Pastor provoca polêmica em Marília ao declarar voto

Carta assinada pelo pastor Domingos

Uma carta assinada pelo pastor Domingos Jardim da Silva onde ele declara seu apoio e de sua família ao candidato a vereador Júnior Moraes na eleição municipal tem repercutido na cidade e gerado polêmica. As pessoas têm se perguntado: Pode isso?

O candidato é membro há 18 anos da Igreja sob responsabilidade de Domingos, a 1ª Igreja Batista de Marília, conforme o documento com data de setembro e distribuído na saída do estacionamento do templo religioso.

A afirmação sobre distribuição é do candidato ao Marília Notícia. Ele não soube detalhar quantas cópias foram feitas, mas a reportagem apurou que seriam milhares.

“Queridos irmãos”, começa o texto assinado pelo pastor antes de dizer que a política brasileira atravessa momentos difíceis. Ele afirma então ser necessário “votar em pessoas que, de fato, nos representem e venham a exercer o mandato com o temor do Senhor”.

Depois de informar que o candidato citado pediu o apoio de Domingos, ele é apresentado para os leitores da carta que são informados sobre o “envolvimento” de Júnior e de sua família “nos ministérios da igreja”.

“Diante disso, eu e minha família estamos comprometidos em apoiar a candidatura do nosso irmão Júnior Moraes para vereador”, afirma o pastor na carta.

O texto termina com uma célebre frase de Martin Luther King e um trecho da Bíblia: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”; e “quando os honestos governam, o povo se alegra (Proverbios29:2a)”.

“Essa carta assinada pelo pastor Domingos é distribuída na igreja para mais 5 mil membros. Achei muito errado o que está acontecendo na Pib. Acredito que pedir votos dentro da igreja é crime, certo?”, disse uma leitora  que prefere não se identificar e tem familiares que frequentam o local.

LEGISLAÇÃO

O Ministério Público em ofício recente esclareceu que “candidatos a cargos eletivos e seus respectivos partidos políticos devem se abster de veicular propaganda de qualquer natureza dentro de templos religiosos, bem como zelar para que terceiros não o façam em seu proveito, nos termos do artigo 37, da Lei n.° 9.504/97 e do artigo 14, da Resolução n.° 23.457/2015, do Superior Tribunal Eleitoral”.

Assim, nos templos religiosos, é vedada qualquer espécie de propaganda eleitoral, inclusive a negativa, pedido de voto, ainda que dissimulado, manifestação de apoio ou de agradecimento público a pré-candidatos ou candidatos, afirma o MP.

PASTOR

Em entrevista ao Marília Notícia na manhã desta quarta-feira (14), o pastor Domingos negou qualquer irregularidade.

“Não fiz isso [assinar a carta] em nome da instituição. Fiz como cidadão brasileiro. Como cidadão, tenho todo o direito, assim como todo cidadão, de me expressar”, disse.

Ele reafirma que as cartas não foram entregues dentro da igreja, “foram entregues fora do estacionamento da igreja depois do culto, na saída”.

O pastor também frisou que não tem qualquer ligação com partidos políticos.

CANDIDATO

Também em entrevista ao MN, o candidato afirmou que trata-se de uma carta “pessoal”. “O pastor somente nos apresentou e colocou como membro da igreja. Simples assim”, disse.

Ele fala que não existe nenhuma irregularidade e afirma que “qualquer candidato pode chegar ali e entregar seus papeis, foi na rua, fora do templo da igreja”, fala.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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