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Pai que fantasiou filho de macaco recebe ameaça na internet

A madrugada de terça-feira (9) de Carnaval foi longa para o ator Fernando Bustamante, morador de Belo Horizonte. Ele perdeu o sono após se tornar alvo de uma polêmica na web e chegou a receber várias ameaças por mensagens depois que uma foto de sua família foi divulgada nas redes sociais. Na imagem, o artista aparece vestido de Aladdin, enquanto sua mulher está fantasiada de Jasmine e o filho do casal está caracterizado como macaquinho Abu, melhor amigo do personagem.

Depois do ocorrido, Bustamante utilizou seu perfil no Facebook para rebater as acusações de racismo contra o próprio filho. No texto, ele alega que não teve a intenção de ofender ninguém com a escolha da fantasia do filho e diz que enxerga o personagem de Abu não como um macaco, mas sim como o melhor amigo de Aladdin. Na última quarta-feira (10), no entanto, o artista decidiu novamente utilizar o canal para desabafar sobre o caso e afirmou que mal conseguiu dormir “tentando digerir a enxurrada de informações e mensagens de amor e ódio”.

Na publicação, ele conta que levantou às 7h para começar o último dia de Carnaval ao lado do filho. O garotinho brincou na piscina durante o dia, acompanhado de vários amiguinhos. Somente mais tarde, quando colocou o menino para dormir, Bustamante e a mulher tiveram tempo para conversar sobre o que tinha acontecido. Ele destacou os questionamentos que os fizeram refletir durante a discussão.

“Será que o racismo estava no fato do Mateus ser um negro fantasiado de macaco ou o fato de eu ser um pai branco? Se eu fosse um pai negro e o Mateus, o Abu, estaria tudo certo? Ou se o Abu fosse um filho branco também não haveria problemas?”, disse ele.

O artista encerrou o desabafo relatando que foi impossível ler e responder todas as mensagens recebidas. Segundo ele, “a maioria confortava o coração, outras suscitavam a reflexão. Muitas pareciam aquelas homenagens póstumas. A sensação de que alguém morreu…na verdade não foi alguém, foi algo…o idealismo é utópico! Agradar a todos também”

Confira o texto na íntegra:

Só consegui dormir por volta de 4h da manhã, tentando digerir a enxurrada de informações e mensagens de amor e ódio. Às 7h Mateus acordou e quando ele acorda é hora de levantar e preparar o café da manhã. Já tínhamos planejado desde sempre que passaríamos a terça de Carnaval em casa. Impossível conversar sobre o ocorrido na frente do pequeno. Estava muito cansado e pedi a Cynthia para levá-lo na piscina e desmarcar um churrasco com os moradores do prédio. Não estávamos no clima. Assim foi feito. Tentei descansar, mas eram tantas mensagens, que era impossível relaxar. Algumas ameaçavam a minha integridade física e me assustaram. Parecia que meu post com o pedido de desculpas não foi suficiente para chegar em todas as pessoas que postaram mensagens de ódio. Resolvi dar três entrevistas para reverberar ainda mais a minha resposta, embora tivesse certeza que era impossível reverter a situação. Mateus chegou e foi dormir. Durante a última entrevista, ele acordou e agora era a minha vez de cuidar dele. Cynthia saiu para comprar o almoço e nós fomos andar de bicicleta no playground do prédio. Almoçamos e pedi a Cynthia que chamasse nosso afilhado para brincar com Mateus. Ele chegou e o clima ficou bem alegre. Muitas crianças na piscina comendo pipoca e se divertindo. Mateus tentou pular na piscina sem boia e eu estava de prontidão. As crianças foram embora, fiquei brincando com ele no parquinho e Cynthia foi fazer o jantar. Depois do jantar Cynthia foi comprar um vinho e eu coloquei o Mateus para dormir. Só então conseguimos conversar sobre as mensagens de reflexão recebidas. A que mais chamou a atenção: 
– Será que o racismo estava no fato do Mateus ser um negro fantasiado de macaco ou o fato de eu ser um pai branco? Se eu fosse um pai negro e o Mateus o Abu estaria tudo certo? Ou se o Abu fosse um filho branco também não haveria problemas?
Já era impossível ler e responder todas as mensagens. A maioria confortava o coração, outras suscitavam a reflexão. Muitas pareciam aquelas homenagens póstumas. A sensação de que alguém morreu… Na verdade não foi alguém alguém… foi algo… o idealismo é utópico! Agradar a todos também.” (sic).

Fonte: R7

Amanda Brandão

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