O corpo da policial militar Gisele Alves Santana, exumado na última sexta-feira (6), apresentava marcas no pescoço, segundo informações do advogado da família da vítima, José Miguel da Silva Junior.
Segundo Silva Junior, as marcas encontradas no pescoço da vítima chamaram a atenção da perícia. “No meu entendimento, com os outros elementos de prova, [as marcas] corroboram para o feminicídio. Esta marca é um fator preponderante, é uma equimose de dedos, como [se tivesse segurado] a pessoa com a mão”, relatou.
Essas informações, até o momento, são extraoficiais e ainda não constam nos autos do processo de investigação da morte de Gisele, informou o advogado. Ele aponta, no entanto, que já há elementos de prova nos autos que indicam o envolvimento do marido da vítima no crime.
“Nós temos um depoimento de uma testemunha vizinha que ouviu o disparo às 7h28. Ela fundamenta porque ela prestou atenção, é um hábito dela, principalmente quando ela se assusta, e ela se assustou. O coronel acionou o Copom às 7h57”, disse o advogado sobre o intervalo de quase meia hora até que o marido pedisse socorro.
O fato de Geraldo Leite ter tomado banho após a ocorrência, segundo o advogado, é outro ponto chave na investigação. “Tem outros depoimentos de socorristas que, ao chegarem ao local, já falaram ‘isso aqui está meio estranho para suicídio’. Tanto é que tiram a foto dela com a arma na mão. Eu acostei [a foto] nos autos”, relatou o advogado, sobre mais um elemento para a tese de feminicídio.
Ele explicou que, na imagem, a vítima está com a arma na mão, o que seria incomum em casos de suicídio. “Ela está segurando a arma, a arma está grudada na mão dela. Uma [pistola] ponto 40, [se] uma mulher com a mão geralmente pequena realiza um disparo, com certeza, vai perder os sentidos e a arma não vai cair colada na mão dela.”
O advogado confirmou ainda que três mulheres policiais foram ao apartamento do casal para fazer uma limpeza, horas após a ocorrência. “Causa estranheza também. Eu já sabia dessa informação e têm imagens delas subindo para poder proceder a limpeza do apartamento. Elas já prestaram depoimento e já confirmaram isso”, contou.
A Agência Brasil solicitou confirmação à Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre atualização nas investigações. “As investigações do caso seguem sendo realizadas pelo 8º DP. A autoridade policial aguarda os laudos referentes à reconstituição e exumação do corpo da vítima. Detalhes serão preservados, devido ao sigilo judicial imposto”, respondeu a pasta, em nota.
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