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Outros tipos de contágio do zika desafiam a ciência

A descoberta de que talvez o mosquito Aedes aegypti não seja o principal vetor de propagação do vírus da zika e de que a disseminação por contato sexual é mais comum do que anteriormente pensado colocam em xeque tudo o que já era sabido sobre o zika.

O primeiro estudo, uma parceria do Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz, do Rio, com o Instituto Pasteur, da França, avaliou a competência vetorial dos mosquitos do gênero Aedes enquanto transmissores do zika em cinco regiões: Brasil, Estados Unidos, e os territórios ultramarinos franceses Martinica, Guadalupe e Guiana Francesa.

Amostras de Aedes aegypti e Aedes albopictus foram expostos ao zika e acompanhados em três aspectos para estimar o potencial de transmitirem o vírus.

Primeiramente, observou-se a taxa de infecção, que é indicativa da aptidão do vírus de invadir e se reproduzir nas células epiteliais do intestino do mosquito. Depois, foi observada a taxa de disseminação, que demonstra se há a presença do vírus em outras partes do organismo.

Finalmente, foi investigado a presença de zika na saliva do inseto, que é o aspecto indicativo de que o ciclo foi completado e o mosquito está pronto para transmitir a doença ao picar um humano.

A conclusão foi de que a capacidade do Aedes aegypti de apresentar o vírus Zika na saliva é reduzido. De cada cem mosquitos do Aedes aegypti infectados, em apenas vinte o vírus chega até o estágio final, alcançando a saliva, o que torna-os capazes de transmitir o vírus.

No caso da dengue, por exemplo, de cada cem mosquitos infectados, 40 viram transmissores. Já com a chikungunya a taxa é maior ainda: 70 para cada cem.

“Não podemos descartar a possibilidade de que existam mais vias de transmissão, através de outros vetores ou diretamente de uma pessoa para a outra, por meio de fluidos corporais”, afirmou o coordenador da pesquisa Ricardo Lourenço em comunicado.

Transmissão sexual

A primeira transmissão documentada do Zika por contato sexual ocorreu em 2008, quando um médico americano passou a doença à esposa após retornar de uma viagem ao Senegal. O paciente manteve relações com a parceira, que em seguida apresentou os sintomas de zika. Testes nas amostras de sangue comprovaram a presença da doença.

Com a epidemia atual, o Centro para Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos Estados Unidos passou a monitorar possíveis casos de contágio por via sexual. Segundo o CDC, o vírus se mantém presente por mais tempo no sêmen do que no sangue.

Durante o primeiro mês de fevereiro, o centro recebeu 14 relatos de possíveis transmissões. Desses, dois casos foram confirmados laboratorialmente e outros quatro foram considerados prováveis. Todas as pessoas infectadas eram mulheres cujos parceiros retornaram recentemente de regiões afetadas pela epidemia.

Saliva e amamentação

Em fevereiro a Fiocruz identificou a presença ativa do Zika na saliva e na urina. Na ocasião, o presidente da instituição, Paulo Gadelha, afirmou que “o fato de haver um vírus ativo com capacidade de infecção na urina e na saliva não é uma comprovação ainda. E nem significa que necessariamente o será ou que há possibilidade de infecção de outras pessoas de maneira sistêmica através desses fluidos”.

A OMS não reconhece o aleitamento materno como fator de risco de transmissão. Igualmente, o CDC afirma que não houve casos reportados. Com base nisso, a recomendação é de que mães não suspendam a amamentação.

A forma comprovada de contágio mãe-filho se dá na gestação e na hora do nascimento. Transfusões de sangue também são uma forma de contágio possível.

Fonte: G1

Amanda Brandão

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