Bonde exposto aos fundos da Emei Monteiro Lobato (Foto: Marcos Boldrin)
Há imagens que são verdadeiras celas, prisões; e há as que nos dão asas!
De Curitiba, recebo fotos e vídeos de novos ônibus elétricos e isso me põe a refletir: qual transporte conecta e humaniza mais as pessoas – o público coletivo ou o privado (carros e motocicletas)?
Enquanto observo as imagens, a mente mergulha nas suas entranhas e lembra do velho bonde exposto aos fundos da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Monteiro Lobato, visível da confluência entre as ruas Bahia, Sorocaba e avenida Sargento Ananias de Oliveira: também elétrico e coletivo.
Antigos na essência, inovadores na forma, os veículos elétricos são a moda do momento em razão de suas vantagens em relação ao meio ambiente (consomem energia renovável; silenciosos, auxiliam no conforto sonoro…) e também desvantagens (fabricar suas baterias polui e consome muita energia; boa parte dos produtores ficam em países cujas usinas elétricas são movidas a carvão).
Urbanista e pragmático, arrisco pisar em outros pântanos. Com fome de mudanças, a gente anseia por inovações que muitas vezes só giram, giram, e nos deixam no mesmo lugar.
Lembra-se da Rainha Vermelha ao convidar Alice a correr pelo jardim das flores vivas, no país das maravilhas? “Mais rápido! Mais rápido!”
Exausta e frustrada, Alice percebe. “Ora, eu diria que ficamos sob esta árvore o tempo todo! Tudo está exatamente como era!”, e continua… “bem, na nossa terra geralmente você chegaria a algum outro lugar…”
A Rainha, então, comenta “que terra mais pachorrenta! Pois aqui, como vê, você tem de correr o mais que pode para continuar no mesmo lugar.”
É, leitor, em terras assim e nesses termos, substituirmos carros, motocicletas e caminhões movidos a combustíveis fósseis por elétricos é mais do mesmo, é correr sem sair do lugar: o excesso deles continua. E a crescer, como carrapatos em orelhas de cães abandonados.
Exemplos não faltam: marginais Tietê e Pinheiros de São Paulo; highways de Houston, Los Angeles, Moscou ou Mumbai.
Em Marília, a Rodovia do Contorno, o complexo viário dos “Pioneiros” (ao final da avenida da Saudade) e a avenida Hygino Muzzi Filho representam bem esta realidade.
Alarga-se vias; aumenta-se o número de faixas e pistas… e o problema viário nunca se resolve. Solucionar assim é crer que, ao se afrouxar os cintos, a obesidade deixa de existir.
Desnecessária bola de cristal é o caos esculpido em rocha.
Boa parte dos gestores atuais projetam e executam orientados pelo excesso de automóveis – neles miram e mantêm suas mentes criativas. Infelizmente.
Sugiro, portanto, que se inverta a lógica. Planejemos a partir de pessoas (a essência, o verdadeiro centro de decisões em urbanismo, o coração das cidades) e ficará cristalino que agir assim é transformar as cidades, humanizando-as.
Menos carros, motocicletas e caminhões a circular, independente da nova matriz energética que os alimente. Imagine!
E substituir pelo quê?
Ora, crie!
Tornar o transporte coletivo mais confiável e eficiente é uma possibilidade. Outra é a de valorizarmos o caminhar, pedalar, circular em cadeiras de rodas, atraindo nossos olhares e demais sentidos para as ruas, calçadas e fachadas de forma a nos seduzir a deixarmos veículos em garagens.
De quebra, queda nos números de triglicérides, colesterol e tantos outros fatores de riscos para doenças cardíacas (as que mais matam no Brasil, ceifando mais de 400.000 pessoas por ano): salvaríamos potencialmente mais de 11.000 boas almas que morrem em acidentes de trânsito em somente um ano.
Vítimas que podem ser você, eu… Nossos pais, filhos e irmãos.
Pense nisso.
Sucesso. Sempre.
Marcos Boldrin
Urbanista e arquiteto, é coronel da reserva e ex-gestor público estadual e municipal
@marcosboldrin
marcosboldrin@outlook.com
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