“O que vou fazer no resto da minha vida? Minha oportunidade de trabalhar em Dubai acabou e eu não posso nem trabalhar como fazendeiro”, disse, no leito do hospital da Universidade de Tribhuvan. “Não tenho nem o dinheiro para comprar uma cadeira de rodas, agora. Como vou passar o resto da vida e sustentar minha família?”, questionou Khanal.
O nepalês havia chegado a Katmandu apenas três dias antes do terremoto de 7.8 graus de magnitude, numa quarta-feira. Ele vivia em uma vila no Oeste do Nepal, onde deixou sua mulher e um filho de seis meses. Seu voo para Dubai estava marcado para segunda. No sábado, ele estava na hospedaria no subúrbio de Katmandu quando, pouco antes de meio-dia, os tremores começaram.
Khanal caiu em alguns segundos e, de repente, o teto do prédio começou a desabar sobre ele. “Eu ficava gritando, pedindo ajuda, mas por três dias não ouvi nenhum barulho e não havia sinais de que houvesse alguém perto de mim”. Mal conseguindo se mover, o nepalês pegou um lenço de seu bolso, molho na própria urina e espremeu em sua boca, para se hidratar. “Me deu mais energia para gritar, e eu sobrevivi”, lembrou. O fazendeiro só foi resgatado na terça-feira e os médicos não conseguiram salvar sua perna.
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