Marília e região

Mudança na escala 6×1 pode impactar mais de 72 mil trabalhadores em Marília

Comércio sustentou alta nas vagas de emprego em Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

A proposta do governo federal para substituir a escala de trabalho 6×1 por 5×2, encaminhada ao Congresso Nacional, pode impactar diretamente o mercado formal de trabalho em Marília. O município reúne atualmente 72.091 trabalhadores com carteira assinada, segundo dados de fevereiro de 2026 do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O contingente representa 29,15% da população estimada da cidade, hoje em 247.348 habitantes, e está concentrado principalmente no setor de serviços, que soma 35.291 empregados. Em seguida aparecem o comércio, com 17.739 trabalhadores, a indústria, com 15.284, a construção civil, com 3.042, e a agropecuária, com 735 vínculos formais.

A proposta em tramitação altera regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e, por isso, tem como alcance principal os vínculos formais — ou seja, trabalhadores com carteira assinada. Na prática, a mudança não atinge diretamente profissionais informais, autônomos ou contratados como pessoa jurídica, que não estão submetidos à legislação trabalhista tradicional.

Em Marília, isso significa que a eventual adoção da nova escala teria efeito direto sobre quase um terço da população total, considerando apenas os empregos formais contabilizados.

A predominância do setor de serviços no município indica que boa parte dos trabalhadores potencialmente impactados atua em áreas como atendimento, saúde, educação, transporte e serviços administrativos. Nesses segmentos, a organização das jornadas costuma ser mais flexível, mas também mais sensível a mudanças legais.

Já o comércio, segundo maior empregador local, é tradicionalmente associado à escala 6×1, sobretudo pelo funcionamento aos fins de semana, o que pode exigir adaptações mais intensas por parte das empresas.

Na indústria, que reúne mais de 15 mil trabalhadores formais em Marília, o impacto tende a variar conforme o tipo de operação, especialmente em linhas de produção contínua ou com turnos alternados. A construção civil e a agropecuária, embora tenham menor participação no total de empregos, também podem ser afetadas conforme a regulamentação específica das jornadas nessas atividades.

O projeto ainda depende de análise e aprovação no Congresso Nacional e pode sofrer alterações ao longo da tramitação. Caso seja aprovado nos termos propostos, a mudança na escala de trabalho deve exigir ajustes operacionais por parte das empresas e pode alterar a dinâmica de contratação, produtividade e organização das jornadas no mercado formal de cidades como Marília.

Rodrigo Viudes

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