Polícia

MP denuncia garcense por furto e morte de gata e pede preventiva

Acusado de matar gato e queimá-lo em churrasqueira foi preso em flagrante pela Polícia Civil (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

O Ministério Público (MP) denunciou à Justiça o jovem de 21 anos investigado pela morte da gata Charlotte, caso que gerou grande repercussão em Garça e em todo o país. A denúncia inclui acusações de furto de animal doméstico e maus-tratos a animal com resultado morte, além de pedido de decretação da prisão preventiva do acusado.

De acordo com a denúncia feita pelo promotor de Justiça Richard Fabrício Messas, a gata, conhecida como Charlotte, permanecia habitualmente em uma marcenaria localizada na rua Barão do Rio Branco, onde era cuidada pelos tutores. O MP afirma que o acusado conhecia a rotina do animal, já que trabalhava em uma empresa situada a cerca de 20 metros do local.

A acusação apontou que, no dia 11 de maio, após o encerramento das atividades da marcenaria, o investigado teria se dirigido ao local e levado a gata para sua residência, fato registrado por câmeras de monitoramento.

No dia seguinte, ao ser questionado sobre o desaparecimento do animal, teria afirmado aos proprietários que a gata o seguiu até sua casa e posteriormente fugiu. A denúncia aponta, porém, que a versão apresentada é incompatível com as provas reunidas e teria sido utilizada para ocultar a subtração do animal.

Para o MP, o conjunto probatório demonstrou que houve intenção definitiva de manter a posse de Charlotte, caracterizando o crime de furto.

Em relação aos maus-tratos, a denúncia descreveu que o crime ocorreu entre a noite de 15 de maio e a manhã de 16 de maio, na área de lazer do condomínio onde o acusado residia. Conforme o documento, imagens do sistema de monitoramento do prédio permitiram identificar parte da ação.

O Ministério Público afirmou que as gravações mostraram o investigado segurando o animal pela cauda e praticando sucessivas agressões físicas. Segundo a denúncia, mesmo após a gata ainda apresentar sinais de vida, as agressões teriam continuado.

Posteriormente, Charlotte foi colocada em uma caixa e levado para os fundos do condomínio, local onde acabou sendo encontrado morto e carbonizado dentro de uma churrasqueira na manhã seguinte.

O MP sustentou ainda que o denunciado retornou para buscar substâncias inflamáveis e papel, utilizados para incendiar o animal. Próximo à churrasqueira, a perícia encontrou recipientes contendo óleo de cozinha e líquido com odor etílico, nos quais foram localizadas impressões digitais parciais que podem pertencer ao acusado.

Na denúncia, o Ministério Público classifica a conduta como premeditada, argumentando que o acusado manteve Charlotte sob sua posse durante vários dias antes dos maus-tratos fatais, circunstância que, segundo a Promotoria, demonstrou planejamento prévio e maior reprovabilidade da conduta.

Além disso, o órgão requer o reconhecimento das agravantes de motivo torpe e emprego de meio cruel. Também foi requerida a incidência da agravante prevista na Lei de Crimes Ambientais pelo fato de a infração ter sido praticada durante o período noturno.

No documento, o Ministério Público pediu a decretação da prisão preventiva do denunciado. O promotor argumentou que, após a audiência de custódia, surgiram novos elementos capazes de justificar a medida, entre eles a extrema crueldade do crime, a suposta existência de risco de reiteração delitiva, o descumprimento de medidas cautelares anteriormente impostas e a dificuldade de localização do acusado durante as investigações.

Segundo a denúncia, o investigado teria mudado temporariamente de endereço e deixado a cidade sem autorização judicial prévia, além de não ter sido localizado em diligências realizadas pela Polícia Civil. O Ministério Público afirmou que a situação demonstra risco concreto à aplicação da lei penal.

O MP também mencionou que o caso provocou intensa mobilização popular, com protestos, campanhas nas redes sociais e manifestações públicas pedindo justiça para Charlotte. Embora ressalte que a comoção social, isoladamente, não justifica a prisão preventiva, o órgão sustentou que ela reforça a necessidade de resposta estatal diante da gravidade concreta dos fatos.

Além da condenação criminal, o Ministério Público requer que o réu seja condenado ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor mínimo de R$ 200 mil, a ser destinada ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa dos Direitos Difusos. Também foi solicitado o pagamento de indenização por danos morais aos tutores da gata, em valor a ser definido pela Justiça.

Agora, caberá ao Poder Judiciário analisar a denúncia apresentada pelo Ministério Público, decidir sobre o pedido de prisão preventiva e definir se a ação penal será recebida para prosseguimento do processo.

Alcyr Netto

Recent Posts

Santa Casa de Marília recebe doação de 210 travesseiros para leitos de internação

Campanha foi organizada pela empresária Márcia Tédde após identificar necessidade da instituição.

6 horas ago

Deputados defendem ampliação do programa de escola cívico-militar em Marília

Adesão de escola da zona norte reforça a atuação de Dani Alonso e Capitão Augusto…

6 horas ago

Assinatura digital e lacração impedem alteração em sistemas eleitorais

A cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais impedem qualquer alteração nos programas…

7 horas ago

Polícia investiga suspeita de agressão contra idoso internado após cirurgia em Marília

A Polícia Civil instaurou investigação para apurar um caso de possível violência contra um idoso…

7 horas ago

Prouni 2026: divulgado resultado de nova chamada para o 2º semestre

Estudantes que participam do processo seletivo do Programa Universidade para Todos (Prouni), referente ao segundo…

7 horas ago

This website uses cookies.