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MP denuncia ex-presidente da Cohab por lavagem

Regional
28 de julho de 2022

Dinheiro foi apreendido na casa do presidente da Cohab na época da operação (Foto: Divulgação)

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou o ex-presidente da Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru (distante 110 quilômetros de Marília) e familiares por lavagem de dinheiro.

No total, foram cinco pessoas denunciadas, entre elas um contador e ex-diretor da Cohab, único que não pertence à família do ex-presidente, Edson Bastos Gasparini Junior.

Os trabalhos são um desdobro da segunda fase da Operação João de Barro, deflagrada em dezembro de 2019, quando o Gaeco apurou a prática de desvios realizados pelo ex-presidente e outros servidores da Cohab. Uma primeira denúncia também envolvendo os fatos já tinha sido apresentada à Justiça.

Na nova queixa, o MP apresenta ao juiz da 4º Vara Criminal de Bauru o resultado de profunda investigação conduzida ao longo de meses para verificar a evolução patrimonial de Gasparini e da família.

Após a produção de diversas provas, especialmente a quebra de sigilo bancário e fiscal, a investigação constatou que o grupo promoveu a lavagem do dinheiro desviado dos cofres públicos por diversos métodos, como utilização de produtoras rurais, compra e venda de propriedades urbanas e rurais e ocultação de bens e valores – de gado, café e dinheiro em espécie -, bem como por meio da movimentação irregular de contas bancárias. Essa última metodologia é conhecida como estruturação (smurfing) e mescla patrimonial (commingling).

O MP identificou um grande número de transações imobiliárias, rurais, comerciais e bancárias realizadas com o objetivo de lavar o dinheiro proveniente, direta e indiretamente, dos desvios de dinheiro da Cohab.

Antes de apresentar a denúncia, o MP já havia obtido o sequestro cautelar de casas, apartamentos, chácaras, fazendas, gado, café e automóveis dos denunciados, bem como o bloqueio de contas bancárias e a apreensão de quantias expressivas.

Finalizada a segunda denúncia da Operação João de Barro, os trabalhos de investigação do Gaeco prosseguem, ainda voltados à apuração de outros possíveis crimes de lavagem de capitais, com o envolvimento de mais pessoas.