O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) em Marília instaurou um procedimento específico para apurar a superlotação na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona Norte e no Pronto Atendimento (PA) localizado na região Sul da cidade.
Segundo a Prefeitura, em média, entre 16 e 20 pessoas estão sendo mantidas em leitos de apoio, à espera de internação nos hospitais de referência para Covid de Marília e região. Parte destes pacientes estão intubados e em estado grave. Óbitos têm sido registrados neste período.
Tanto a UPA quanto o PA não têm estrutura para permanência prolongada de pacientes. Em situação normal, antes do colapso no sistema de saúde, os moradores eram avaliados, observados, transferidos ou liberados em poucas horas.
Agora, as “internações” têm durado dias, a ponto das unidades já registrarem a alta de pacientes graves, que acabaram se recuperando da doença enquanto aguardavam leito hospitalar, um alento em meio às mortes.
“Foram solicitadas estratégias ao gestor municipal, entre elas a indicação de local adequado para atendimento à população, que se encontra aguardando vagas pela regulação da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross)”, informou a promotoria.
Houve ainda, segundo o MP, solicitação ao Hospital das Clínicas (HC) de Marília em relação à disponibilidade de mais leitos de UTI anunciados anteriormente. A instituição havia acenado com a possibilidade de instalar mais dez vagas, elevando o total para 50 leitos de UTI Covid.
Conforme nota assinada pelo promotor Isauro Pigozzi Filho, o órgão ministerial tem trabalhado em três frentes: distanciamento social e regramentos, tratamento dos pacientes pela rede pública e vacinação.
O procedimento visa, conforme o MP, o acompanhamento da situação e busca soluções junto aos gestores. Pigozzi não citou ajuizamento de ação, com obrigação de fazer ao Poder Público.
Em nota, o HC afirmou que “todos os esclarecimentos foram dados ao MP, de que ainda não existe previsão de abertura dos novos leitos, por causa das dificuldades já relatadas pela própria nota do Ministério Público”.
Já o HBU (Hospital Beneficente Unimar), mantenedor da UPA, não respondeu à solicitação da reportagem. A Prefeitura de Marília informou que tem empreendido todos os esforços possíveis para a implementação de “leitos de apoio”, visando reduzir o número de pacientes que aguardam vagas nas duas unidades de urgência.
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