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Motoristas voltam a trabalhar com previsão de greve para a próxima semana

Cidade
23 de fevereiro de 2021

Reunião no início da tarde desta terça-feira (23), entre diretores da empresa Grande Marília e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbano de Marília e Região, decidiu pelo fim da paralisação que fez a população amanhecer sem os coletivos em parte da cidade. Entretanto, novo ato pode acontecer na próxima semana.

A empresa, por meio da assessoria de comunicação, distribuiu nota para informar que o movimento havia cessado, com previsão de retomada da circulação a partir das 14h.

No entanto, a Grande Marília não detalhou as negociações que levaram a interrupção do movimento grevista.

O presidente do sindicato, Aparecido Luiz dos Santos disse ao Marília Notícia que ainda não houve proposta para a regularização dos salários, que teriam sido pagos de forma parcial neste início de fevereiro.

“Os motoristas votaram em assembleia e decidiram que hoje o trabalho será retomado, mas vai ser protocolado um ofício, tanto na Emdurb, quanto na empresa e no Ministério do Trabalho, para comunicar que se não for pago o salário de janeiro, em 100%, a partir da zero hora da próxima segunda-feira, ninguém sai da garagem”, disse o sindicalista.

Ainda segundo Aparecido, representante da empresa teria mantido a informação de que o faturamento foi comprometido pela pandemia e a Grande Marília não tem condições de pagar os salários.

O presidente da entidade negou que a organização tenha ‘atropelado’ legislação, ao interromper 100% dos serviços da Grande Marília, nesta segunda-feira.

“Tem uma ata de reunião do dia 12 de fevereiro, que está assinada por eles (diretores) indicando que teria paralisação. O movimento de hoje foi totalmente legal”, argumentou.

Sem caixa

Como citado acima, a empresa alega cofres vazios e necessidade de reajustar a tarifa.

A Associação Mariliense de Transporte Urbano (AMTU), que representa as duas empresas de transporte público em atuação no município, protocolou em dezembro do ano passado um ofício solicitando o aumento de R$ 3,80 para R$ 6,24.

A diferença é de R$ 2,44 por passagem, o que representa um aumento de 64,2%. Até o momento, no entanto, não houve resposta da Prefeitura sobre o assunto.

O último reajuste aconteceu em março de 2019, após quatro anos, quando houve o acréscimo de R$ 0,80 na tarifa que era de R$ 3 – o equivalente a 26,6%.

“A Grande Marília lamenta a paralisação, mas com uma tarifa congelada desde março de 2019, sem nenhum auxílio emergencial da Prefeitura durante o período de pandemia e tão pouco uma avaliação quanto ao pedido de reajuste já protocolado, não há mais fluxo de caixa para o pagamento dos salários”, consta em nota oficial da empresa.

“Sem auxílio da Prefeitura não tem como haver previsão para o pagamento”, termina a declaração da Grande Marília.

Prefeitura

O prefeito Daniel Alonso (PSDB) está em Brasília (DF), onde gravou um vídeo para comentar a paralisação dos motoristas. O chefe do Executivo mariliense quis deixar claro que não se trata de “um problema da Prefeitura e muito menos do prefeito”.

“Isso é um problema das empresas com seus funcionários. Das empresas, com suas obrigações, principalmente a de pagar o salário de seus funcionários”.

De acordo com ele, desde março do ano passado ambas as empresas vêm procurando a administração “em busca de ajuda, de subsídios, ou seja, de equilíbrio financeiro”.

“Evidente que eu não posso pegar recursos do município para ajudar essas duas empresas. Não posso tirar dinheiro da saúde, da educação, do asfalto, da água, do esgoto e transferir para essas empresas”, disse Daniel.

Segundo o prefeito, houve um “desequilíbrio” em decorrência da pandemia e “as empresas estão transportando menos de 50% do que transportavam”. Esse problema, no entanto, seria nacional.

Daniel também descartou o aumento de tarifa no patamar solicitado pela AMTU. “Não posso admitir uma tarifa neste valor. A população vem sofrendo muito, desemprego, inflação, a situação está muito difícil”.

No final do vídeo, o tucano aproveitou para ameaçar as empresas quanto à continuidade dos contratos, em caso de manutenção da paralisação.

“Esperamos que as empresas resolvam essa pendência com seus colaboradores e voltem a trabalhar o quanto antes, sob o risco de suspendermos esses contratos e chamarmos uma nova ou novas empresas para trabalharem em nossa cidade”.