Tecnologia

Moderadores do YouTube estão desenvolvendo problemas psicológicos

Moderadores de conteúdo do YouTube estão sofrendo de problemas mentais após passarem horas expostos a vídeos de conteúdo extremo, como abuso sexual infantil e violência – a revelação foi feita nesta segunda, 16, pelo site The Verge. Segundo a publicação, os funcionários da Accenture, terceirizada responsável pela maior equipe de moderação do YouTube nos EUA, relataram ansiedade, depressão, pesadelos e outros problemas de saúde mental. A reportagem ainda mostra que o Google oferece condições de trabalho inferiores para os terceirizados, além de não cumprir uma promessa de redução de exposição ao conteúdo.

De acordo com o The Verge, alguns funcionários já apresentavam sintomas relacionados a estresse pós-traumático com apenas seis meses de trabalho. Em suas rotinas, os moderadores são obrigados a assistir durante cinco horas contínuas de imagens, ou 120 vídeos, que potencialmente violam as políticas de uso da empresa, como registros de decaptações, pessoas baleadas e estupro de crianças. No ano passado, Susan Wojcicki, presidente executiva do YouTube, prometeu reduzir o limite de exposição a essas imagens para quatros horas, algo que nunca teria acontecido.

Funcionários também teriam dito que não podiam fazer pausas durante o trabalho e que tiveram pedidos de férias negados por conta da demanda de trabalho – há relatos de que chefes iam até o banheiro buscar funcionários que estariam ausentes de suas mesas por “seis ou sete minutos”. A Accenture negou a informação, dizendo que desenvolve programas de bem estar entre os funcionários.

A reportagem mostrou que os moderadores terceirizados ganham bem menos que os contratados diretamente pelo Google. Um funcionário da Acccenture disse que ganhava US$ 18,50 por hora, ou US$ 37 mil por ano. Uma moderadora do Google em posição similar podia ter rendimentos de até US$ 90 mil por ano, contando bônus recebidos em forma de ações da companhia. Ao contrário dos moderadores contratados diretamente, os terceirizados não têm licença médica remunerada – seus planos de saúde também não são iguais.

Os moderadores também relatam a sensação de serem cobaias em experimentos conduzidos pelo Google em relação à exposição de conteúdo extremo. Um desses experimentos seria aplicar um tom de cinza nas imagens para reduzir o impacto emocional. Segundo os entrevistados, o Google não são informados corretamente sobre o tipo de material a que serão expostos – nas entrevistas de emprego, o potencial do conteúdo era minimizado. Muitos dos contratados são de origem árabe, pois a empresa exige fluência no idioma – alguns se candidataram por acreditar que poderiam obter cidadania americana, algo que se tornou mais difícil no governo de Donald Trump.

Essa não é a primeira vez que The Verge mostra os problemas de moderação da indústria tecnológica. Ao longo do ano, o site mostrou as condições de trabalho de moderadores terceirizados do Facebook, o que inclui também a denúncia de trabalhadores com desordem de estresse pós traumático após a exposição de imagens perturbadoras. A empresa Cognizant, que prestava serviço de moderação de conteúdo para o Facebook, encerrou o seu contrato com a rede social após as reportagens.

Amanda Brandão

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