O Ministério da Agricultura confirmou nesta quarta-feira, 15, que a cervejaria Backer, de Belo Horizonte, usou água contaminada na produção. A análise detectou que a contaminação foi dentro do local, mas ainda não se sabe como. A pasta considera como hipóteses o uso indevido ou vazamento de substâncias de refrigeração, além da sabotagem. O governo mineiro confirmou, também na quarta, a segunda morte por suspeita de intoxicação de dietilenoglicol, achado na cervejaria Um terceiro óbito está em análise.
O ministério anunciou ter achado seis lotes contaminados da cerveja Belorizontina e uma da Capixaba. Outros são avaliados. A investigação federal trata a contaminação como “sistêmica”. “Os controles de produção demonstram que os lotes já detectados como contaminados passaram por distintos tanques, afastando a possibilidade de ser um evento relacionado a um lote ou tanque específico”, aponta o ministério.
A investigação indica ainda que a Backer comprou 15 toneladas do monoetilenoglicol, usado na refrigeração da produção, quantidade acima do normal. Houve pico de consumo da substância no fim do ano. “Esse insumo não é consumido em ritmo elevado. Poderia ser pela ampliação do parque fabril, ou por falha no processo, quando está se gastando acima do esperado”, disse Carlos Vitos Muller, coordenador de vinhos e bebidas da pasta. A substância circula por fora do tanque, em serpentinas de refrigeração, e não pode ter contato com a água.
Foram achados rastros de monoetilenoglicol e dietilenoglicol nos corpos de vítimas e na água da produção. Para técnicos da pasta, a segunda substância pode ter sido formada em processo químico a partir do monoetilenoglicol. Os produtos não podem se misturar com a bebida nem serem ingeridos. O ministério já recolheu 139 mil litros de cerveja e 8,48 mil litros de chope da Backer.
A segunda morte confirmada pela polícia foi de um homem, que estava internado em hospital privado de BH.
Em nota, a Backer disse que “nunca comprou nem utilizou o dietilenoglicol”. Segundo a empresa, a substância usada é o monoetilenoglicol, “cujas notas fiscais de aquisição já foram compartilhadas” com as autoridades. Nos últimos dois anos, a Backer disse que elevou a compra de monoetilenoglicol por causa do aumento de produção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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