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Mariliense sente o peso da inflação de dois dígitos de 2021

Cidade
14 de janeiro de 2022

Mariliense Carlos Eduardo dos Santos, de 45 anos, rasga o Brasil de Norte a Sul e sente no bolso a inflação (Foto: Arquivo Pessoal)

A inflação oficial do país, que fechou 2021 em dois dígitos, foi ainda mais dura para as famílias pobres e de baixa renda. Pesou também para os pequenos empreendedores e profissionais liberais, que não conseguem repassar os aumentos para clientes ou reajustar contratos de prestação de serviços.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, encerrou o ano em 10,06%. Mas muitos itens – principalmente essenciais – tiveram altas bem maiores, como alimentos básicos, gás e demais combustíveis.

O caminhoneiro Carlos Eduardo dos Santos, de 45 anos, é um dos marilienses que vê os rendimentos encolherem. Na atividade, o profissional depende do óleo diesel, peças e manutenções para o caminhão, além de arcar com impostos e o pesado custo das praças de pedágio.

“Percebi que tudo subiu em 2021, principalmente, os itens de primeira necessidade, como alimentos, gás de cozinha, combustível. Para continuar na atividade, você não consegue repassar todos os aumentos. Como consequência, não mantém o padrão de vida”, afirma.

Santos, como milhões de brasileiros e milhares de marilienses, teve que fazer adequações na compra de alimentos, produtos de higiene e limpeza. “A gente teve que rever marcas e quantidades e até frequência no uso do carro, nas saídas de lazer com minha família”, conta.

O caminhoneiro acredita que, em 2022, a tendência não é encontrar facilidade, mas com disposição, ele roda centenas de quilômetros toda semana, em estados do Sudeste, Centro-Oeste e até região Norte do país.

“Acredito que temos que ter fé em Deus de dias melhores. Não podemos depender apenas da capacidade humana frente ao que estamos enfrentando. São tempos muito turbulentos e precisamos ter muita força e fé. É o que eu acredito”, finaliza o mariliense.

MAIORES AUMENTOS

O preço da gasolina, conforme a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) subiu cerca de 46% em 2021. O derivado de petróleo custava, em média, R$ 4,60 na bomba dos postos de combustíveis em janeiro. Em dezembro, a média no país estava em de R$ 6,67.

O diesel teve alta semelhante. Passou de R$ 3,60, para R$ 5,30, ou seja, 47%. Já o etanol subiu mais. Saiu de um preço médio de R$ 3,20 em janeiro e passou para R$ 5,10 em dezembro.

O gás de cozinha, conforme o IBGE, fechou o ano 36,99% mais caro: o preço médio no Brasil é de R$ 102,55, com extremos de R$ 135 no Mato Grosso e R$ 78 no Rio de Janeiro.

A principal alta no grupo habitação foi na energia elétrica, que acumulou 21,21% no ano. A progressão das bandeiras de sobretaxa na tarifa doméstica, além de reajustes tarifários, foi sentida pelo consumidor.

No grupo alimentação e bebidas, houve variação de 7,94% em 2021, menor do que a alta de 14,09% no ano anterior, quando estes itens tiveram o maior impacto na inflação.

Mas alguns produtos ficaram bem mais caros. O café moído subiu 50,24%, prejudicado pela geada nas regiões produtoras; o açúcar refinado, 47,87%, com a competição da matéria-prima para a produção do etanol.

Proteínas, também mais salgadas. O frango em pedaços subiu média de 29,85% e o ovo 13,24%. As altas foram puxadas pelo aumento da demanda, após a carne bovina ter se tornado um produto de luxo no país.

Nos 12 últimos meses encerrados em novembro, a inflação da carne bovina estava em 10,81%, superior ao índice calculado para todo o grupo alimentos e bebidas.

Não por acaso, o consumo vem caindo há três anos consecutivos no país. Em 2020, houve recuou de 10% em relação ao ano anterior. Em 2021, a estimativa de queda é de 2%.

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