Thiago Fiuza será um dos palestrantes do Workshop que acontece na noite desta quinta-feira no Hotel Sun Valley, em Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)
A Metalfec, empresa de reciclagem instalada em Vera Cruz, transformou um tema pouco atraente para muitos em pauta estratégica para o setor. Nesta quarta-feira (18), a companhia recebeu o especialista e mentor de negócios Paulo Fiuza para um encontro com o CEO Fábio Donófrio. A reunião serviu como preparação para o 1º Workshop Recicla Legal Metalfec, que acontece nesta quinta (19), às 18h, no Hotel Sun Valley, em Marília.
A proposta é direta: mudar a forma como o mercado de sucata é visto, combatendo a informalidade e mostrando que é possível unir gestão eficiente, ética e rentabilidade.
Com 12 anos de experiência como comprador de sucata na siderúrgica Gerdau — onde foi quatro vezes eleito o melhor do Brasil —, Fiuza identificou cedo um problema recorrente no setor: a falta de gestão. Segundo ele, muitas empresas nascem da prática, com profissionais que dominam a operação, mas têm dificuldades em áreas como contabilidade, liderança e tributação.
Após empreender fora do segmento, no ramo de salões de beleza, ele voltou à reciclagem durante a pandemia de Covid-19, período de forte crescimento do mercado. Fundou a Fiuza Metais, já com estrutura profissionalizada, e, na sequência, a Fiuza Mentorias.
“A reciclagem há um tempo atrás era o mercado do futuro, hoje ela é o mercado do presente”, afirmou. De acordo com o mentor, mais de duas mil empresas já foram formalizadas com apoio de sua equipe.
Entre os erros mais comuns no setor, ele aponta a falta de capital de giro, a classificação inadequada de materiais e decisões baseadas em expectativa — como segurar estoque apostando em altas de preços que não se concretizam. “É como tratar o negócio como uma bolsa de valores”, comparou.
O peso dos impostos e o baque do STF
A carga tributária foi um dos pontos centrais do encontro. Fiuza alertou que a questão costuma ser negligenciada pelos empresários, mas pode comprometer até 26% do faturamento com a reforma tributária.
O cenário se agravou com uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional a isenção de PIS e Cofins para o setor de sucata.
Segundo Fábio Donófrio, o impacto foi imediato. O mercado desacelerou e empresas passaram a arcar com 9,25% de tributação sobre vendas, sem possibilidade de gerar créditos sobre estoques já adquiridos.
“Desincentivou a gente se preparando para uma mudança tributária. Do nada vem essa notícia e já está valendo. Essa carga tributária extra acaba penalizando a ponta mais fraca da cadeia, como o carroceiro e o catador”, afirmou.
1º Workshop Recicla Legal Metalfec
Diante dos desafios, o workshop surge como uma tentativa de organizar o setor e reduzir o estigma que ainda recai sobre os chamados “ferros-velhos”, muitas vezes associados a práticas ilegais.
A proposta é mostrar que a formalização e a padronização das operações aumentam a segurança jurídica e afastam a criminalidade.
A procura superou as expectativas. O evento, inicialmente previsto para 120 pessoas, já ultrapassou 186 inscritos, com participantes de diferentes regiões do país, do nordeste ao Rio Grande do Sul. A programação reúne desde catadores até representantes da indústria.
Além de Fiuza, o encontro terá nomes como Anderson Pomini, da Autoridade Portuária de Santos, que falará sobre exportação, e Carlos Roberto de Morais, ex-vice-presidente de grandes empresas, que participa de forma virtual.
Tendências do mercado de reciclagem
Para o futuro, Fiuza aponta duas oportunidades para empresas que optam pela formalização. A primeira são os créditos de reciclagem, ligados à logística reversa. Pela legislação, indústrias precisam comprovar a destinação correta de resíduos e pagam por notas fiscais de empresas regularizadas.
Ele compara o modelo a “descobrir um atalho num videogame”, em que o empresário recebe um bônus financeiro por manter a documentação em dia.
A segunda frente é a exportação. Estratégia já adotada pela Metalfec, permite negociar diretamente com mercados como Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia e China, reduzindo a dependência da indústria nacional.
“Em alguns momentos ela lhe dá fôlego para você poder brigar aqui no mercado interno”, explicou Donófrio.
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