Marília

Marília se esforça para reflorestar região em meio a debate global

Área devastada (Imagem: Reprodução/SOS Mata Atlântica)

Em sua apresentação na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, nesta quinta-feira (22), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu acabar com o desmatamento no país até 2030. Em Marília, são feitos esforços para recuperar parte dos 85% de floresta nativa já destruídos.

De acordo com a SOS Mata Atlântica, uma das mais importantes Organizações Não Governamentais (ONGs) do Brasil, em Marília ainda existe o equivalente a 23 mil campos de futebol da principal vegetação natural.

Parece muito, mas o que já foi devastado é muito maior. É, por isso, que projetos como o “Revitalizando a Vida” são tão importantes. Ao mesmo tempo que os envolvidos contribuem para a garantia de recursos hídricos, parte do que já foi desmatado em Marília é recuperada.

Prefeito Daniel Alonso acompanha projeto de recuperação de nascentes e reflorestamento (Foto: Divulgação)

Levantamento da SOS Mata Atlântica publicado em agosto do ano passado, com dados referentes a 2019, mostra que em Marília só resta 14,98% da vegetação nativa.

Apesar de baixo, esse percentual é maior do que a média estadual de área preservada. Hoje, no município, existem 17.525,76 hectares de Mata Atlântica, a maior parte propriamente de mata (16,2 mil hectares) e um pouco da chamada “vegetação de várzea” (1,2 mil hectares).

Ao todo, desde o início da exploração das terras marilienses, foram cortados o equivalente a cerca de 153 mil campos de futebol.

Boa parte do que sobrou está onde o ser humano não conseguiu pisar, como os precipícios que limitam a área urbana, localizada no alto de um platô. Estas regiões ainda conservam a vegetação nativa, formando uma espécie de cinturão verde a margear a cidade e os distritos.

Dados (Imagem: Reprodução/SOS Mata Atlântica)

Já o projeto “Revitalizando a Vida”, citado acima, tenta recuperar a mata nas proximidades de onde nascem os cursos d’água.

Por meio da gestão participativa em parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e de Limpeza Pública, um sensoriamento remoto identificou 113 nascentes na área urbana, que estão sendo visitadas e recuperadas.

A participação da Prefeitura de Marília envolve a utilização de maquinários, materiais e mudas nativas.

Uma das matas ciliares em recuperação (Foto: Divulgação)

Mas a iniciativa conta com a participação fundamental de populares residentes nas proximidades, que colaboram com os cuidados, mantendo a área limpa e protegida, evitando os descartes irregulares que, além de aterrar as nascentes, causam a proliferação de animais nocivos e peçonhentos, e queimadas urbanas, que prejudicam a qualidade do ar e o desequilíbrio ambiental.

O engajamento da população é fundamental e, nos últimos anos, o desmatamento em Marília está praticamente controlado – até por isso a recuperação agora é tão importante.

Se apenas em 2005 foram desmatados 580 mil metros quadrados de Mata Atlântica no município – ou 58 hectares -, nos anos seguintes este número foi caindo até praticamente zero entre quase todo o período de 2012 a 2019. O ano de 2018 foi a exceção, com desmatamento de cinco hectares ou 50 mil metros quadrados.

Membros de projeto que faz parte da gestão colaborativa (Foto: Divulgação)

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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