Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Marília - (foto: Divulgação)
O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Marília notificou dois casos de câncer relacionado ao trabalho entre janeiro e julho de 2026. As ocorrências envolvem um pedreiro de 64 anos e um trabalhador rural de 59 anos, ambos autônomos que exerceram atividades com exposição prolongada ao sol, sem proteção adequada. As informações foram confirmadas pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, após apuração do Marília Notícia.
Segundo a administração municipal, as notificações ocorreram após a constatação de que os profissionais permaneceram por longos períodos expostos à radiação solar intensa, sem medidas suficientes para reduzir os riscos da atividade.
O alerta reforça uma preocupação nacional. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente no Brasil entre homens e mulheres, tendo a exposição excessiva ao sol como principal fator de risco.
O Cerest destaca que a radiação ultravioleta (UV) provoca danos cumulativos às células da pele, aumentando significativamente o risco de desenvolvimento da doença ao longo dos anos, sobretudo entre trabalhadores que exercem atividades ao ar livre.
Inca reforça necessidade de prevenção
Segundo o Inca, a radiação solar atinge o organismo de forma direta, dispersa e refletida pelo ambiente. Pessoas submetidas à exposição frequente e prolongada apresentam maior risco de desenvolver câncer de pele, especialmente aquelas de pele, cabelos e olhos claros.
O instituto ressalta que os efeitos da radiação são cumulativos e começam ainda na infância. Estudos indicam que crianças permanecem expostas ao sol com mais frequência do que os adultos e que a exposição intensa nos primeiros anos de vida aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver a doença na idade adulta.
Para o Cerest, a realidade de trabalhadores da construção civil, da agricultura e de outras atividades exercidas ao ar livre exige cuidados permanentes. O órgão recomenda o uso de chapéus de aba larga, roupas de mangas compridas, óculos com proteção contra raios ultravioleta e protetor solar durante toda a jornada de trabalho.
O centro também chama a atenção para os impactos das mudanças climáticas. Segundo o Cerest, o aumento das temperaturas, da intensidade da radiação ultravioleta e da frequência de ondas de calor amplia os riscos à saúde dos trabalhadores expostos ao sol e reforça a necessidade de fortalecer as ações de vigilância, prevenção e promoção da saúde ocupacional.
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