Marília

Empresas de Marília e região reagem à tarifa dos EUA e buscam reduzir impactos

Fabricante Cacau Foods confirmou que seus produtos estão inclusos na lista de itens tarifados (Foto: Divulgação)

O anúncio da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos mobilizou empresas exportadoras de Marília e região, que passaram a monitorar os possíveis impactos da medida e a adotar estratégias para reduzir prejuízos. Enquanto indústrias com atuação internacional aceleram embarques e acompanham o cenário, empresas voltadas ao mercado interno avaliam possíveis reflexos indiretos sobre preços e concorrência.

A medida, confirmada nesta quarta-feira (15), preocupa o setor produtivo nacional e amplia a insegurança em relação às exportações brasileiras. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que a sobretaxa agrava um cenário que já pressionava as vendas ao mercado norte-americano.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Segundo a entidade, desde o início da adoção das tarifas pelos Estados Unidos, em 2025, as exportações brasileiras para aquele mercado recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões (R$ 13,2 bilhões). A queda foi puxada principalmente pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, como produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera e derivados de petróleo.

No Estado de São Paulo, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 6 bilhões (R$ 30 bilhões) entre janeiro e junho, o equivalente a 17% das vendas externas paulistas, com retração de 4,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Cacau Foods adota medidas preventivas para preservar suas operações internacionais (foto: Divulgação)

Cacau Foods acelera embarques

No setor de alimentos, a Cacau Foods informou que adotou medidas preventivas para preservar suas operações internacionais. A empresa antecipou parte das entregas destinadas aos Estados Unidos para garantir contratos já fechados e reduzir eventuais impactos logísticos.

A fabricante confirmou que seus produtos estão incluídos na lista de itens tarifados, mas informou que, até o momento, não identificou reflexos relevantes na cadeia de suprimentos. A companhia também monitora os efeitos da medida sobre os embarques e a variação cambial.

Segundo a direção da empresa, o mercado norte-americano representa parcela reduzida de suas operações internacionais. Por isso, não há previsão de ajustes no quadro de colaboradores. A estratégia de diversificação de mercados também foi apontada como um fator que reduz a dependência de um único destino de exportação.

A empresa defende que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos é o caminho para preservar a competitividade das empresas brasileiras no comércio internacional.

Jacto aguarda informações oficiais para avaliar os impactos (Foto: Divulgação)

Jacto descarta impactos imediatos

Na região de Marília, a Jacto, fabricante de máquinas e equipamentos sediada em Pompeia, informou que acompanha os desdobramentos da medida e aguarda informações oficiais para avaliar os impactos.

Segundo o CEO da empresa, Carlos Daniel Haushahn, neste momento não há previsão de alterações no quadro de funcionários, já que as exportações para os Estados Unidos representam uma pequena parcela da produção da companhia. A empresa também informou que ainda não adotou medidas específicas de contenção, concentrando esforços na análise do alcance efetivo da nova tarifa.

Kuky prevê reflexos no mercado interno

Sem exportações para os Estados Unidos, a Kuky Alimentos avalia que a nova tarifa deverá produzir efeitos indiretos sobre a economia brasileira.

Segundo a empresa, parte da produção destinada ao mercado externo poderá ser redirecionada ao consumo interno, ampliando a oferta de produtos e elevando a concorrência entre fabricantes nacionais.

Na avaliação da companhia, esse movimento também pode aumentar a disponibilidade de matérias-primas, pressionando os preços dos insumos para baixo. Em contrapartida, a maior oferta de produtos acabados poderá reduzir os preços de venda e comprimir as margens de lucro em alguns segmentos.

A empresa considera que o mercado tende a encontrar um novo ponto de equilíbrio ao longo do tempo, mas ressalta que o cenário depende da evolução das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e recomenda cautela diante das incertezas.

O Marília Notícia também procurou a Marilan e a Dori Alimentos para comentar os possíveis impactos da nova tarifa. A Marilan informou que não irá se posicionar sobre o assunto no momento. Já a Dori Alimentos foi procurada, mas não respondeu aos contatos da reportagem até a publicação da matéria.

Michele Rodrigues

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