Marília

Marília apresenta queda progressiva de doação de órgãos nos últimos cinco anos

Captação de fígado no HC de Marília (Foto: HCFamema/Arquivo)

O cenário das doações de órgãos em Marília tem sido marcado por uma queda progressiva nos últimos cinco anos, chegando a números preocupantes em 2022. O Hospital das Clínicas (HC/Famema), que é referência em alta complexidade para 62 municípios da região, registrou 66 órgãos doados no ano passado, representando uma redução de 29% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 93 doações. No entanto, é importante notar que os dados de 2023 ainda não foram divulgados, o que deixa em aberto a possibilidade de reversão desse quadro.

De acordo com o levantamento da Secretaria Estadual da Saúde, entre os anos de 2018 e 2022, o HC contabilizou um total de 676 órgãos doados, com destaque para a doação de 297 rins, 204 córneas, 115 fígados, 23 doações de ossos, 16 de coração e 14 de pulmão, neste período. No total, foram 194 doações em 2018, 170 em 2019, 153 em 2020, 93 em 2021 e 66 em 2022.

Hospitais como a Santa Casa de Marília e o Hospital Beneficente da Unimar (HBU) também realizaram esse tipo de procedimento, contudo, em uma proporção menor.

A Santa Casa de Marília registrou a doação de 66 órgãos em um grande período de 2008 a 2023. Foram 40 rins, 16 fígados, cinco ossos, quatro pulmões e um coração. O ano de 2018, com 11 órgãos doados, foi o que apresentou o maior número.

Foram 10 órgãos doados em 2022 na unidade hospitalar, sendo dois fígados, dois ossos e seis rins. No ano passado, houve apenas a doação de um fígado, um rim esquerdo e um rim direito, totalizando três procedimentos. No ano de 2021, no auge da pandemia da Covid-19, não houve nenhum registro de doação.

Leito de UTI que serve ao serviço de transplantes na Santa Casa de Marília (Foto: Santa Casa/Arquivo)

Já o Hospital Beneficente da Unimar (HBU) contabilizou, ao longo dos últimos cinco anos, duas captações de órgãos. Em ambos os casos, foram retirados coração, rins, fígado e córneas.

O HBU informou que não faz o transplante dos órgãos, apenas a captação.

MAIS RECENTE

Apesar de não terem sido contabilizados ainda, o Marília Notícia tem conhecimento e noticiou alguns casos em 2023.

Em um dos mais emblemáticos do ano, William Gabriel Ferrari Neves, vítima de grave acidente registrado na madrugada do último dia 12 de agosto, realizou a doação de órgãos como o coração, rins, córneas, ossos e fígado.

“Foi um vencedor até em sua despedida. Partiu salvando vidas. O coração dele já está batendo em outro peito”, declarou Guilherme Neves, irmão da vítima, na época.

Em outro caso deste ano, mas do outro lado da história, estava Sidnei Fernandes, morador de Osvaldo Cruz, portador de uma doença autoimune que atacava o sistema digestivo. Por conta disso, ficou com o fígado comprometido. Os tratamentos já não faziam mais efeito e a única solução foi o transplante, realizado na Santa Casa de Marília.

Sidnei Fernandes recebeu um novo fígado neste ano (Foto: Divulgação/Santa Casa)

“Tive uma retocolite ulcerativa, uma doença inflamatória no intestino. Com o tempo, alguns exames apresentaram alteração. Fiz uma biopsia para saber o que estava alterado e foi constatado que eu tinha uma colangite esclerosante primária no fígado. Isso tem três anos e meio”, conta Fernandes.

O diagnóstico dos médicos era de que sua única alternativa seria um transplante. Ele entrou na fila e conseguiu receber o novo órgão no dia 23 de fevereiro deste ano. A cirurgia foi um sucesso e mudou sua qualidade de vida.

“No início, para a gente é um choque. Quando falam que você vai entrar em uma fila de transplante, no primeiro impacto, você pensa que é uma chance em um milhão. Consegui o transplante e estou muito bem. Peço para as pessoas, que ainda não são doadoras, que orem, repensem e se tornem doadores”, diz Sidnei Fernandes.

Neste ano, ‘Caminhada pela Vida’ foi realizada no dia 23 de setembro (Foto: Divulgação/Santa Casa)

SETEMBRO VERDE

Setembro Verde é um mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. Durante esse período, todo o país se une para informar e mobilizar a sociedade sobre a importância desse gesto solidário, que pode salvar vidas.

A campanha busca desmistificar a doação, esclarecendo dúvidas e incentivando as pessoas a comunicarem sua decisão de serem doadoras para suas famílias.

O gesto pode fazer a diferença para aqueles que aguardam por um transplante e pode salvar vidas.

Transplante de fígado pelo SUS na Santa Casa de Marília (Foto: Santa Casa/Arquivo)

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Alcyr Netto

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