Polícia

Justiça mantém ex-PM preso por morte em rodeio e prepara júri para maio

Ex-policial militar Moroni Siqueira Rosa foi preso em flagrante após homicídio (Foto: Arquivo)

A Justiça de Marília confirmou para o dia 5 de maio o julgamento do ex-policial militar Moroni Siqueira Rosa, de 39 anos, pelo Tribunal do Júri. A decisão está registrada em despacho que mantém o réu preso e dá andamento à ação penal que apura a morte de Hamilton Olímpio Ribeiro Júnior, de 29 anos, e os ferimentos causados em outras duas pessoas.

A juíza Josiane Patrícia Cabrini, que deve presidir o júri, manteve a prisão preventiva do réu por “não ter havido mudança fática ou jurídica capaz de justificar a revogação da medida cautelar”. Com isso, Moroni deverá ser apresentado sob custódia no Fórum de Marília.

O ex-PM já foi pronunciado para julgamento pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado contra Hamilton e por duas tentativas de homicídio, durante um show no distrito de Lácio.

Moroni Siqueira Rosa atirou na vítima quando ela estava de costas (Foto: Redes Sociais)

A acusação aponta que os disparos ocorreram em meio a uma aglomeração, durante apresentação da cantora Lauana Prado, o que sustenta a tese de que o denunciado assumiu o risco de atingir outras pessoas.

Disparos no rodeio

A denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) informa que o crime ocorreu na madrugada de 31 de agosto de 2024, por volta de 1h45, na arena do Marília Rodeio Music, no final da avenida Brasil, em área destinada pela Prefeitura, à época, para a realização do evento.

Segundo os autos, Moroni estava de folga e portava a arma funcional da corporação. Ele teria consumido bebida alcoólica em meio à aglomeração, conforme a promotoria.

Ainda de acordo com a acusação, o desentendimento com Hamilton teria começado após um esbarrão, em uma discussão considerada banal pela investigação.

Hamilton foi morto durante rodeio em Marília (Foto: Redes Sociais)

Em seguida, o policial teria sacado uma pistola Glock calibre .40, pertencente ao Estado de São Paulo, e efetuado disparos contra o técnico agrícola, atingindo a vítima inclusive pelas costas, o que resultou na morte do jovem.

O processo também aponta que outras duas pessoas foram feridas por projéteis durante a confusão, sem gravidade.

A acusação sustenta que, ao atirar em meio à multidão, o réu assumiu o risco de provocar novas mortes, o que fundamenta as imputações de dupla tentativa de homicídio.

Crime qualificado

No caso, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo fútil, uso de meio que resultou em perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. O ex-policial permanece custodiado no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.

O episódio teve grande repercussão no Estado e gerou forte comoção, já que a vítima morreu durante o show, diante da companheira, enquanto estava temporariamente na região de Marília, longe da mãe e do filho.

Moroni deixou a Polícia Militar em setembro do ano passado, quando o Estado publicou sua demissão após a conclusão do processo administrativo disciplinar.

Carlos Rodrigues

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