Marília

Imóveis fechados atrapalham combate à leishmaniose

Cão doente no Jânio Quadros; exame de sangue foi feito há 40 dias, mas ele ainda não foi levado para eutanásia (Foto: Divulgação)

Imóveis fechados durante a visita de funcionários da Divisão de Zoonoses estão sendo obstáculos ao combate da leishmaniose em Marília. O problema preocupa as populações de bairros com grande número de cães com resultado positivo para doença.

No Jânio Quadros, um dos bairros mais afetados, estão alguns desses casos.  O cão da enfermeira Geralda, de 51 anos, fez o exame há quase 40 dias por uma equipe da Secretaria de Saúde do município, mas ainda não foi sacrificado.

A mulher precisou passar por uma cirurgia e está em Bauru, na casa de parentes. Enquanto isso, a Prefeitura não tinha como levar o cachorro para o canil, onde é feita a eutanásia. “Recentemente me ligaram e disseram que deu positivo”, disse a mulher.

Uma vizinha vem alimentando o animal, mas os horários não batem com os funcionários da Zoonoses para que o portão seja aberto e o animal recolhido.

Nesse caso, já se passou quase um mês e meio onde o cão contaminado foi identificado, mas continua servido como reservatório da doença, para que o mosquito-palha continue transmitindo a leishmaniose para outros caninos e seres humanos por meio dele.

Elza Gonçalves dos Santos, de 55 anos, mora na mesma rua e teme pela saúde dos vizinhos. “Sei de uns 10 cães doentes e pelo menos umas três pessoas que moram no bairro”.

Recentemente, a administração municipal confirmou ao MN que apenas 25% da população canina dos bairros mais afetados tinha coleta de sangue – 719 amostras. O motivo foi justamente a quantidade de imóveis fechados.

“A Divisão de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde avalia que a cobertura casa a casa, ante a importância do controle da Leishmaniose, ainda é baixa. Atribui-se esse resultado a diversos fatores, sendo o principal deles o grande número de imóveis fechados, uma vez que trata-se de uma população economicamente ativa, permanecendo em local de trabalho durante a maior parte do dia, inclusive aos sábados”.

Nesta segunda-feira (22) a reportagem falou no departamento e a informação é de que as pessoas que perderam a visita dos funcionários municipais que passaram recolhendo o sangue dos animais para exame, e suspeitam que seus cães estejam doentes, devem procurar um veterinário particular.

A Secretaria Municipal de Saúde de Marília informa que o recolhimento dos cães com resultados positivos para Leishmaniose é feito mediante o aval do responsável.

“Em relação ao caso citado, a Divisão de Zoonoses esclarece que: a constatação de Leishmaniose foi feita após exame colhido no dia 12/04; no dia dia 15, foi feito contato com a moradora para informar a recomendação de eutanásia; a moradora ficou de retornar o contato, o que não aconteceu”, diz nota.

De acordo com a Saúde, “somente o responsável legal pelo animal (adulto), pode autorizar a retirada do animal e o procedimento”.

Animal apresenta feridas típicas da leishmaniose nas patas (Foto: Divulgação)

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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