Política

Gilmar suspende MP que dispensava publicação de editais em jornais

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido do partido Rede Sustentabilidade e decidiu suspender os efeitos da medida provisória que dispensava a publicação de editais de licitação, concursos e leilões em jornais de grande circulação. A decisão liminar do ministro vale até o Congresso Nacional concluir a análise do tema ou até o julgamento de mérito pelo plenário do Supremo.

Esta é a terceira vez que o Supremo impõe uma derrota ao governo de Jair Bolsonaro. Antes, os ministros já haviam decidido colocar limites à ofensiva do Planalto para extinguir conselhos, proibindo o governo de extinguir colegiados que tenham sido criados por lei. O plenário também decidiu manter a demarcação de terras indígenas com a Fundação Nacional do Índio (Funai), barrando a transferência dessa responsabilidade para o Ministério da Agricultura.

Desta vez, a Rede acionou o Supremo sob a alegação que a medida provisória tem como objetivo “desestabilizar uma imprensa livre e impedir a manutenção de critérios basilares de transparência e ampla participação no âmbito das licitações”. Para o partido, o governo Jair Bolsonaro editou a medida como “ato de retaliação” contra a imprensa livre, o que caracterizaria “ato de abuso de poder”.

O Palácio do Planalto, por sua vez, afirmou que a publicação de editais, concursos e leilões em jornais de grande circulação representa um gasto adicional e injustificado aos cofres públicos, “cuja situação de desequilíbrio fiscal é amplamente conhecida”.

Ao analisar o caso, o ministro Gilmar Mendes concluiu que “ainda que se reconheça a necessidade de modernização do regime de contratações públicas”, a edição da MP “não parece ter sido precedida de estudos que diagnosticassem de que maneira e em que extensão a alteração das regras de publicidade poderia contribuir de fato para o combate ao desequilíbrio fiscal dos entes da federação”.

“O legislador não se desincumbiu do ônus de demonstrar que a edição da MP seria medida imprescindível ao controle dos gastos públicos envolvidos na divulgação de instrumentos convocatórios em jornais de grande circulação no País”, escreveu o ministro.

“Em curto espaço de tempo, e antes mesmo da confirmação da medida provisória pelo Congresso, os efeitos de sua edição estão, supostamente, afetando a imprensa, especialmente nos municípios, levando ao fechamento ou diminuição de circulação, afetando a própria liberdade de imprensa, bem tão caro à democracia”, concluiu Gilmar.

Amanda Brandão

Recent Posts

Polícia Rodoviária reforça fiscalização de álcool na estreia do Brasil

Motoristas poderão ser submetidos ao teste do etilômetro durante operação da Polícia Rodoviária (Foto: Divulgação)…

6 horas ago

Marília realiza vacinação contra a gripe em quatro pontos da cidade neste sábado

A Prefeitura de Marília promove neste sábado (13) uma ação especial de vacinação contra a…

13 horas ago

Marília recebe jogos de handebol e futsal feminino por competições estaduais

Equipes locais disputam rodada da Liga e semifinal da Copa da LPF Mulheres (Foto: Christian…

13 horas ago

Polícia prende dois por tráfico no mesmo endereço em menos de três horas

Polícia Militar apresentou CPJ prisões e apreensões feitas no mesmo lugar (Foto: Marília Notícia) A…

13 horas ago

IBGE abre inscrições em seleção para 8,2 mil vagas de nível médio

As inscrições para o processo seletivo simplificado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)…

13 horas ago

Governo do Estado de São Paulo descarta segundo caso suspeito de ebola

O governo de São Paulo descartou o segundo caso suspeito de ebola, que estava sob investigação na…

13 horas ago

This website uses cookies.