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O retorno às aulas

Coluna
28 de julho de 2021

O ano de 2020 começou, em certa medida, como começaram todos os anos anteriores no meio educacional: um novo ano cheio de sonhos e boas perspectivas. O objetivo buscado era o de que as 20 metas do Plano Nacional de Educação fossem alcançadas ou, pelo menos, se tornassem mais próximas.

Veio a pandemia ocasionada pela Covid-19 e as excelentes expectativas iniciais se defrontaram com uma triste realidade: uma das primeiras medidas adotadas em razão da pandemia foi a suspensão das aulas presenciais. O esperado era que o ensino presencial fosse substituído pelo ensino virtual. Na prática, contudo, isso foi bem mais complicado do que se imaginava.

As mais prejudicadas, parece-me, foram as crianças, pois elas passaram a depender, em muito, no seu processo de ensino e aprendizagem de um mediador em casa. Já não bastava o professor, pois passou a ser necessário um segundo adulto habilitado para acessar a internet, conectar à videoaula, interagir em ambiente virtual, etc. Tais atividades, contudo, exigiram certa habilidade e conhecimento nem sempre encontrável nos lares brasileiros, em especial nos mais humildes. Resultado: foi retirado de nossas crianças o direito de sonhar.

A situação foi agravada pelo total descompasso de direção entre nossas autoridades. Além de inexistir um comando central relembrando a todos a importância da educação e traçando regras gerais com o objetivo de direcionar a educação em âmbito nacional, em todos os âmbitos, decisões de governadores e prefeitos se chocaram, criando um ambiente de grande insegurança jurídica. O preceito constitucional que impõe que os direitos das crianças e adolescentes sejam tratados com absoluta prioridade (art. 227, CF) foi colocado em segundo plano, ou seja, a criança não foi colocada em primeiro lugar.

Isso ficou claro nas discussões que se seguiram à suspensão das aulas presenciais. Em nenhum momento se questionou sobre os prejuízos enfrentados pelas crianças, pois a sua educação somente foi pauta quando se questionava onde os pais deixariam os filhos para que pudessem trabalhar; onde as famílias menos favorecidas poderiam ter acesso aos alimentos que anteriormente eram oferecidos na merenda escolar, etc. Assim, não se discutiu a educação a partir dos interesses das crianças e tampouco se debateu o papel dos professores e alunos que, ao final, foram grandes heróis do período da pandemia.

Apesar desse quadro caótico, não concordo com os pessimistas que sustentam que as crianças “perderam” a formação escolar durante o período da pandemia. Elas tiveram contato com uma nova realidade, uma dura realidade, a qual, se for bem trabalhada no pós-pandemia, poderá trazer resultados importantes para o crescimento. Os grupos de trabalho com foco na educação poderão ter um importante papel no pós-pandemia, estabelecendo diretrizes que permitam reverter o quadro atual.

Já em relação ao ensino superior, apesar de inexistir, muitas vezes, a obrigatoriedade do mediador, o que, em tese, poderia facilitar a transposição do ensino presencial para o ensino “on-line”, a falta de diretrizes nacionais, conectadas com disposições emitidas pelos governos estaduais, acabou trazendo novos desafios.

Essa situação é extremamente preocupante, pois tenho a certeza de que, na pandemia, a educação faz parte da solução e não do problema. Afinal, se hoje temos a esperança do retorno à normalidade, isso somente é possível graças às pesquisas realizadas no âmbito acadêmico, que permitiram descobrir novos tratamentos para a Covid-19 e desenvolver novas vacinas, descobertas que somente se tornaram possíveis em razão da educação.

Nesse sentido, gostaria de compartilhar a experiência que vivenciamos na Unimar. As aulas não ficaram suspensas um dia sequer. Imediatamente após a suspensão das aulas presenciais, as aulas “on-line”, de forma síncrona, foram iniciadas, garantindo a manutenção do processo de ensino e aprendizagem nos cursos presenciais. Além disso, assim que autorizadas, as atividades presenciais foram retomadas, ainda em 2020, em especial nos cursos da área da saúde, os quais se mostraram essenciais para o enfrentamento da pandemia.

Além disso, importantes pesquisas foram realizadas, seja em relação a respiradores artificiais (em parceria com a PPA), seja em relação a novos medicamentos (Projeto Revolution), numa busca desenfreada pelo desenvolvimento de novas possibilidades de enfrentamento da pandemia e de suas consequências.

Ainda, necessário destacar que, em parceria com a Prefeitura Municipal e suas secretarias, importantes projetos foram realizados. O mais visível deles, na área da saúde, com certeza é a campanha de vacinação, a qual permitiu, até agora, que mais de 63% da população tenha recebido pelo menos a primeira dose da vacina.

Na área da educação, a parceria entre a Unimar e a Secretaria Municipal da Educação permitiu a implantação de um centro de mídias, com a gravação de aulas diferenciadas e muito ilustrativas para as nossas crianças, no estúdio da Unimar EAD. As aulas são temáticas e lúdicas destinadas para as crianças do ensino municipal, cujo resultado, digno dos maiores elogios, em breve será divulgado para toda a nossa comunidade.

Assim, apesar do título do presente artigo “O retorno as aulas”, na Unimar não podemos falar em “retorno”, pois as atividades acadêmicas não cessaram por um minuto sequer. Assim, para nós, esse “retorno” tem gosto de continuidade.

Por fim, desejamos a todos um excelente segundo semestre letivo, especialmente aos professores e alunos, que todos possam, a partir de agora, estar mais próximos de seus sonhos, com grande parte da população vacinada e seguindo com adoção de todas as medidas sanitárias na prevenção da pandemia e que juntos possamos continuar escrevendo páginas bonitas de nossas histórias.

P.S.: aproveito essa oportunidade para trazer informações para nossos queridos alunos da Unimar: as aulas retornarão, de forma presencial, no próximo dia 03/08/2021. Aqueles alunos que, por algum motivo justificado, não tenham condições de retomar as atividades presenciais, deverão procurar a secretaria acadêmica para preenchimento de um requerimento que será encaminhado à coordenação do curso. Esta solicitação será avaliada levando em consideração o curso e a especificidade do termo matriculado.

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