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Família serve chope e bota música em velório de avô

Parentes brindam por João Ferrari (Foto: Acervo pessoal)

Diante do luto pela perda de João Ferrari, de 70 anos, a família se lembrou de uma inusitada promessa feita ao mecânico para a sua despedida. Já no velório, seu filho decidiu honrar o pedido do pai, encomendou um barril de chope e colocou para tocar moda de viola em um dos recintos da Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Cascavel (Acesc), no Paraná.

De acordo com o neto do mecânico, João Vitor Ferrari, de 18 anos, o avô e o pai selaram a promessa há anos, enquanto bebiam juntos, de que, quando um dos dois partisse, haveria chope e música no adeus. Os parentes hesitaram em cumprir a proposta, mas resolveram fazer jus à memória do avô, conhecido pelas piadas e risadas.

— Teve o primeiro momento de luto, a gente já estava aqui no velório. Ele e meu pai estavam bebendo um dia e prometeram que não queriam nada triste, que ninguém ficasse chorando, quando partissem. Meu pai providenciou (o chope e a música) na hora. As pessoas ficaram meio assim (acanhadas), mas meu pai foi servindo todo mundo. Erguemos os copos perto do meu avô. Fizemos um brinde e uma oração — recordou o neto do mecânico, que preparava motores para corridas de automobilismo na região.

A avó de João Vitor, que é DJ e produtor de música eletrônica, demorou a aceitar o pedido, mas também cedeu em nome da homenagem ao marido. Os parentes encomendaram o chope preferido de João Ferrari, o Providência, e serviram do lado de fora da sala de velório. Enquanto isso, ao fundo tocavam as músicas favoritas do idoso velado, como as violas de Almir Sater.

Celebrado pela família, o gesto dividiu opiniões nas redes sociais. A maioria dos internautas elogiou a relação do Seu João Ferrari com a morte, enquanto alguns consideraram o chope e a música fora de tom na ocasião.

— Eu penso pelo lado dele. Ele não gostaria que a gente perdesse tempo chorando, ficando deprimido. Comentário negativo sempre tem para tudo. É uma boa maneira de lidar (com a morte), porque eu acho que foi imposto isso de ser uma coisa triste, ter que ficar de luto. Não tem que ser assim. Ele era uma pessoa muito animada, gostava de beber uma cerveja, um vinho, falar. A imagem que a gente tem é dessa pessoa alegre, sempre sorrindo — lembrou o DJ.

O sepultamento de João Ferrari ocorreu na manhã desta quinta-feira, na Acesc. Segundo o neto, o mecânico ficou doente de repente. Com uma gripe básica, ele deixou de se cuidar, e uma pneumonia chegou a um ponto crítico. Os pulmões estavam cheios de água. Por isso, o avô já não bebia há algum tempo — mas “aproveitou a vida até onde deu”, diz o neto.

Fonte: Extra

Amanda Brandão

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