Marília

Exportação de amendoim tem ‘boom’ e vira carro-chefe em Marília

Amendoim garante superávit na balança comercial de Marília (Foto: Ewerton Alves/Divulgação Neomarc)

Marília voltou a registrar superávit na balança comercial em 2018, ou seja, a cidade vendeu mais do que comprou de outros países, diferente do ano anterior.

O principal responsável por isso foi o amendoim, cujas vendas ao exterior a partir da cidade registraram um ‘boom’. Também houve queda de 16% nas importações de modo geral.

Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e mostram que a oleaginosa se tornou no ano passado o carro-chefe das exportações marilienses ao alcançar 31% do volume total.

Em 2017 a exportação de amendoim representava apenas 1,3% das vendas de Marília para outros países. Em 2018 elas somaram US$ 15,22 milhões.

O amendoim desbancou o principal produto de exportação mariliense em 2017, os produtos de confeitaria sem cacau, que somavam 33% das vendas para o exterior.

Com redução de US$ 1,74 milhão e o crescimento do amendoim entre um ano e outro esse tipo de produto passou a representar apenas 15% do volume de exportações em Marília.

O problema é que o amendoim é considerado uma commoditie, ou seja, um produto primário. Por isso, com menos valor agregado que um produto industrializado.

O Estado de São Paulo, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Universidade de São Paulo (USP), concentra 90% da produção nacional, que tem como destinação internacional entre 60% e 70% do produzido.

A região de Marília, junto com a Alta Mogiana (Ribeirão Preto, Dumont, Jaboticabal e Sertãozinho), é a principal produtora paulista. O amendoim costuma ser plantado em áreas de renovação de canaviais.

A situação mudou bastante nos últimos dez anos em Marília e a exportação parece ter sido o caminho para escoar a produção.

Em 2009, por exemplo, a imprensa especializada trazia notícias sobre o encalhamento da produção de amendoim na cidade por conta do encolhimento do mercado interno.

Pesquisadora Renata Martins Sampaio do Instituto de Economia Agrícola (IEA) – (Foto: Divulgação)

Análise

Em entrevista ao Marília Notícia, o presidente da Câmara Setorial de Amendoim da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, Luiz Antônio dos Santos Vizeu, não soube explicar especificamente o ‘boom’ das exportações marilienses em 2018, mas falou dos avanços no setor.

“Temos observado uma organização muito grande dos produtores de amendoim, com investimento desde a produção, aumento na qualidade, padronização no preparo para venda e temos focado cada vez mais na exportação. Marília não é diferente”, diz ele.

A pesquisadora Renata Martins Sampaio, do IEA, afirma que a produção do amendoim vem crescendo em média 12% ao ano nos últimos dez anos.

Em dezembro de 2018, segundo o instituto, o preço da saca de 25 quilos era vendido a R$ 42,36. Uma valorização considerável (9,4%), já que em janeiro do ano passado o preço era 38,70.

Para o economista Eduardo Rino situações específicas do mercado externo, principalmente relacionadas aos maiores compradores de amendoim de Marília (Rússia e Argélia) podem ajudar a entender a explosão das vendas locais.

Em 2017 ambos os países não compraram nada em amendoim mariliense, mas em 2018 foram mais de R$ 14 milhões.

“Problemas nas lavouras que remeteriam amendoim para esses países e a qualidade do produto local podem ajudar a explicar esse aumento tão grande nas vendas de Marília”, afirma Rino.

No mesmo sentido, outros analistas apontam que a queda da produção de amendoim na Argentina pode ter aberto espaço para a exportação brasileira.

Já sobre a queda nas exportações  de produtos de confeitaria sem cacau, o economista explica que mudanças no comportamento e no consumo podem ser a resposta.

“Cada vez mais, sobretudo nos países desenvolvidos, a população têm se preocupado com o consumo de doces e industrializados, optando por alimentos mais saudáveis”, diz Rino.

Economista Eduardo Rino (Foto: Leonardo Moreno)

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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