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Escritor mariliense dá dicas de filmes para ver na quarentena

Variedades
25 de março de 2020

Ramon Franco, jornalista de formação e escritor por paixão; devorador de livros e filmes (Foto: Arquivo Pessoal)

Nesta quarta-feira (25), o jornalista e escritor Ramon Barbosa Franco é quem traz como sugestão para a coluna Dicas da Semana seus três filmes favoritos do momento – ótima pedida para espantar o tédio e cumprir a orientação dos profissionais de saúde: ficar em casa.

Entre os filmes escolhidos por ele estão dois longas recentes do cinema estadunidense e uma obra histórica latino-americana.

O objetivo da coluna é apresentar um pouco do gosto de marilienses ilustres e os leitores também podem participar, fazendo suas próprias indicações.

A Dicas da Semana tem duas edições semanais, todas as quartas e sextas-feiras. Serão dicas sobre livros, filmes, séries, cervejas, vinhos, viagens e muito mais. Acompanhe!

Era uma Vez em… Hollywood, dirigido por Quentin Tarantino

Obra lançada em 2019, do premiado diretor Quentin Tarantino. Tem Leonardo diCaprio no papel principal e Brad Pitt, como coadjuvante. Entre outros talentos, apresenta ainda Al Pacino. O filme mostra os bastidores de Hollywood, numa espécie de paráfrase com a carreira do ator e diretor Clint Eastwood, que na década de 1960 foi convidado a fazer filmes italianos com Sérgio Leone… e aceitou. Apesar das referências nítidas, Era uma vez em Hollywood não se trata diretamente do envolvimento do western americano com o cinema italiano. Tem espaço ainda para uma versão, que não é a real, sobre a ex-mulher do roteirista Roman Polanski, a bela Sharon Tate, que acabou sendo barbaramente assassinada na década de 1960. 

O Irlandês, dirigido por Martin Scorsese

Está disponível no Netflix. É uma obra prima de Martin Scorsese. Um filme sobre máfia que tem, vivendo personagens principais, os atores Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci. Pacino faz um líder sindical americano e está acima de todo tipo de atuação que já encarnou. Está perfeito e melhor que em “Perfume de mulher”, que foi o filme que deu a ele uma estatueta do Oscar. Eu gosto muito da atuação do Al Pacino. Acho que ele conseguiu trazer muito da pressão que um líder sofre, ao desenvolver algumas atividades. Quem assiste o filme, consegue ver algumas situações da recente história americana. Vai ver a pressão dos Kenedys e toda essa questão envolvendo um pouco da política americana.

Uma noite de doze anos, dirigido por Álvaro Brechner

Este último filme é uma lição de vida. Uma noite de doze anos conta a história do ex-presidente do Uruguai, José Mujica. É um filme formidável sobre aquele homem que todo mundo vai lembrar… ele tinha um fusca e morava em uma chácara. Aliás, ainda mora até hoje. O José Mujica, que depois viria a ser presidente do Uruguai, tem sua fase no filme ao lado de Mauricio Rosencof, um escritor entre os presos políticos da trama, que inclui ainda Eleuterio Fernández. Esses três militantes eram do grupo Tupamaros, movimento que enfrentou um período de exceção no Uruguai, a ditadura militar daquele país. José Mujica era o líder, Mauricio era outro articulador, ativista, e Eleutério também. Os três foram presos e passam doze anos em solitárias. O filme retrata um sofrimento imenso. Quem assiste, às vezes, passa mal e tem que interromper, porque tem momentos de prisão muito tensos… O talento do Rosencof, o lirismo dele, foi algo que me encantou. Um livro de Rosencof chegou a ser banido dos presídios (As cartas que não chegaram). Polêmica recente ajudou a avivar a história, sobre debate acerca de censura, ou não. Quem gosta da história dos países latino-americanos, não pode perder.