Marília

Doenças por falta de saneamento custam R$ 784 mil em 8 anos

Somente em 2019 parte do esgoto de Marília passou a ser tratado (Foto: Leonardo Moreno/Arquivo)

Os gastos do Sistema Único de Saúde com marilienses internados por doenças relacionados à falta de saneamento básico somam R$ 784 mil entre 2010 e 2017 – período com dados disponíveis no Painel Trata Brasil. A cifra, porém, pode estar subestimada.

Uma pesquisa divulgada esta semana, com base em dados do Ministério da Saúde, mostra que em todo o Brasil doenças por falta de saneamento custaram R$ 1 bilhão nos últimos cinco anos.

No caso de Marília, com fonte do Trata Brasil, a maior parte do gasto foi com internações por doenças de veiculação hídrica, que em oito anos custaram R$ 392 mil aos cofres públicos.

Diarreia é a segunda doença por falta de saneamento que mais provocou custos de internações de marilienses no período analisado, R$ 218 mil. Em terceiro, a dengue, com custo de R$ 163 mil.

Os casos de malária e leptospirose, mais raros na cidade, custaram cerca de R$ 10,3 mil.

O ano com mais despesas foi 2015, com 45% de todos os gastos com doenças de veiculação hídrica, 21% no caso da diarreia e 72% no caso da dengue.

Conclusão da “Obra do Século” deve reduzir gastos com doenças por falta de saneamento (Foto: Divulgação)

Ocorrências

O Painel Saneamento Brasil mostra que Marília registra 18 internações por mês envolvendo doenças relacionadas com falta de saneamento básico.

Em oito anos com dados disponíveis, como mostrou o Marília Notícia em abril deste ano, foram 1.782 internações por esses tipos de doenças na cidade.

A maior parte (40%) são doenças de veiculação hídrica, que levaram 10 pessoas ao óbito. Em seguida aparecem as internações por diarreia (23%) em quantidade de ocorrências.

As principais doenças de veiculação hídrica são: amebíase, giardíase, gastroenterite, febres tifoide e paratifoide, hepatite infecciosa e cólera.

Esgoto era 100% despejado in natura nos mananciais até este ano (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Esgoto

Em breve quase 70% do esgoto de Marília será tratado antes de ser devolvido aos mananciais. A fase de testes já foi iniciada. Ainda no primeiro semestre deste ano, quase a totalidade voltava in natura para a natureza.

A chamada “Obra do Século” finalmente está se encaminhando para a conclusão. A terceira etapa do tratamento de esgoto em Marília, da bacia do Palmital, teve sua licitação concluída no final do mês passado.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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