Marília

Desabastecimento de insulina pode afetar 3,9 mil em Marília

Insulina em geladeira de unidade de Saúde em Marília (Foto: Divulgação/TCE-SP)

Comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (15) informa que a pasta precisou assinar um contrato de aquisição emergencial de 1,3 milhão de unidades de insulina análoga de ação rápida (molécula asparte) para garantir o abastecimento da rede pública pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A compra de emergência é suficiente para o tratamento de apenas 67 mil pacientes.

A previsão é que a primeira entrega seja realizada até o dia 9 de julho. Só, então, o material será redistribuído para os estados e municípios. O Ministério da Saúde informou que mantém tratativas com o distribuidor para antecipação de parte do quantitativo.

Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, Marília conta com 3.900 diabéticos que precisam do uso da insulina diariamente, mas a informação não revela o tipo de diabetes que mais atinge os marilienses. No ano passado, 93 pessoas morreram e tiveram como causa principal a diabetes.

No primeiro quadrimestre de 2022 foram 32 mortes. Já nos primeiros quatro meses deste ano foram registrados 22 óbitos, com redução de 45,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em nota, o Ministério da Saúde cita “dificuldade de aquisição” da insulina análoga de ação rápida, indicada para o tratamento do diabetes mellitus tipo 1, que concentra de 5% a 10% das pessoas diagnosticadas com a doença.

O comunicado lista, além da aquisição emergencial internacional do insumo, outras medidas para evitar o desabastecimento na rede pública, incluindo o remanejamento dos estoques existentes entre os estados e a autorização de compra pelas secretarias estaduais da saúde com ressarcimento por parte do governo federal.

“Cabe reforçar que o país enfrenta cenário de falta de produção nacional de insulina análoga de ação rápida de forma sustentável e capaz de atender às necessidades nacionais”, destacou o Ministério da Saúde.

A pasta reforçou que as insulinas regulares mais consumidas, indicadas para pacientes com diabetes tipo 2 e demais tipos, estão com “estoque adequado” e que o caso da insulina análoga de ação rápida está sendo tratado “com máxima prioridade” junto aos fornecedores nacionais e internacionais para garantir o atendimento da população.

PACIENTE

Insulina utilizada pela professora Julie Rubio (Foto: Divulgação)

A diabetes da professora Julie Copernik Rubio de 28 anos se manifestou durante a primeira gestação. Ela adquire o medicamento na farmácia normal.

Apesar de apresentar um tipo meio incomum, porque a diabetes se manifestou durante a primeira gravidez e não passou, Julie precisa aplicar o medicamento de cinco a seis vezes por dia, antes de todas as refeições e de dormir. “A lenta custa mais ou menos R$ 30 na farmácia e dá para pegar no postinho e a rápida/caneta varia de R$ 20 a R$ 30. Daí tem o custo com agulhas e medidor. Isso dá, em média, uns R$ 300 tudo”, conta.

Chamada diabetes tipo Lada – diabetes tipo 1 que se desenvolve em adultos jovens -, a doença já fez com que a professora gastasse, na época da gravidez, R$ 2 mil por mês porque o controle de glicemia tinha que ser feito com o sensor Libre, que era caro. “Estamos acompanhando essa questão, mas acreditamos que não vai chegar a faltar [o medicamento]”, espera.

ESTADO

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que, no Departamento Regional de Saúde (DRS) de Marília, neste ano, de janeiro a março, foram realizadas 268 internações em leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) referente à diabetes. Em 2022, durante todo o ano, 1.104 internações foram realizadas. 

Além das internações, no primeiro trimestre deste ano, 309 atendimentos ambulatoriais foram realizados na região do DRS de Marília. Durante todo o ano de 2022, foram 1.628.

Para mortalidade por diabetes, 56 óbitos foram registrados na região do DRS de Marília nos três primeiros meses deste ano. Durante todo o ano de 2022, 521 óbitos foram registrados.

Em relação à distribuição de insumos, nos primeiros três meses de 2023, 54.970 medicamentos para diabetes foram distribuídos pelas farmácias estaduais da região. Durante todo o ano de 2022, foram 142.451 insumos distribuídos à população.

Alcyr Netto

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