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Resignação e paciência nesta pandemia

Dizer que estamos atravessando tempos bicudos, com a terrível expectativa de uma contaminação por um vírus desconhecido e altamente letal, seria dizer o óbvio ou chover no molhado. O ser humano, em sua compreensível busca de soluções para conjurar a terrível proximidade do inimigo invisível, acaba por sofrer traumas psicológicos e emocionais que vão do medo à angústia, desembocando em muitos casos na depressão, provocando males de toda ordem.

Diante deste cenário de pânico, a solução, em minha modesta opinião, é adotar algumas medidas que possam minimizar a angústia da espera por uma solução definitiva, visando o afastamento do mal invisível e ameaçador do tal coronavírus. Dentre elas, a resignação deveria estar presente em nossos momentos, uma vez que de nossa parte, pessoalmente, nada há a fazer, a não ser o aguardo da solução do problema, e o cumprimento das normas estabelecidas para evitar o contágio pela enfermidade.

O sentido da resignação, neste caso, não significa desatenção ou conformismo com a hipótese da contaminação e suas consequências. Ao contrário, o sentimento da resignação funcionaria como uma espécie de alento e certeza da existência de um eventual e futuro combate com o mal. A revolta pessoal e inconsequente a nada levaria, a não ser um óbvio desgaste emocional que somente nos causaria mais danos psicológicos.

O segundo sentimento a ser cultivado deve ser o da paciência com uma dose substancial de otimismo. A paciência, porque temos a certeza de inúmeras pesquisas e estudos vêm sendo adotados, visando destruir o mal e a convicção de que esta virá mais cedo ou mais tarde. Aliás, segundo a palavra do filósofo Remo Cantoni, “entre presente e futuro, entre realidade e esperança, há uma larga margem que somente a espera paciente e racional pode superar. Pouco ou nada nos é dado, e o possível se faz real somente na ação e no trabalho que exigem o exercício continuado da paciência e o concurso lento do tempo”.

Assim, se não há solução pronta para afastar de vez essa progressão monstruosa de ataque à nossa frágil e indefesa sociedade humana, a paciência, temperada pelo otimismo, sem maus presságios ou angústias, deve ser a fórmula para que se aguarde o futuro que virá, com certeza, com a extinção da terrível pandemia.

Décio Mazeto

Ex-juiz da 3ª Vara Criminal de Marília, Décio Divanir Mazeto atuou por 34 anos na magistratura

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