O prefeito de Marília Daniel Alonso (PSDB) será ouvido na tarde desta quinta-feira (21) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Carne Estragada, que investiga o apodrecimento de merenda escolar na cozinha piloto do município em janeiro deste ano.
A oitiva acontece às 14h30 na Câmara Municipal, um dia depois terem sido ouvidos pelos parlamentares o secretário municipal da Fazenda, Levi Gomes, e o assessor especial de assuntos estratégicos, José Alcides Faneco, então secretário de Administração durante os episódios investigados.
Os três foram chamados pelos membros da CPI após o ex-secretário municipal da Educação, Beto Cavallari, dizer que os informou sobre os problemas que culminaram no desperdício de mais de 7 toneladas de carne.
A apuração tocada pela Comissão levantou que além de queda de energia que provocou o desligamento da câmara fria, havia mais carne do que a capacidade permitia e, para complicar, parte dela teria sido moída e novamente congelada, o que é considerado irregular. Também teriam sido encontrados produtos fora do prazo de validade.
Levi e Faneco negaram qualquer responsabilidade ou que tenham sido procurados por Cavallari sobre o tema.
O secretário da Fazenda chegou a trocar farpas com o presidente da CPI, vereador Luiz Eduardo Nardi (PR). Ele criticou a apuração, classificada como “sem isenção” e “manipulada”.
Daniel Alonso
Entre outros tópicos, Alonso também deve ser questionado se tinha conhecimento sobre a situação da cozinha piloto, onde a carne estava armazenada.
Em comunicado oficial a administração informou que “o prefeito Daniel Alonso, mesmo não tendo a obrigatoriedade constitucional, irá comparecer espontaneamente na Câmara Municipal, onde realizará esclarecimentos à CPI da Cozinha Piloto, pois tem interesse direto na conclusão dos trabalhos desta comissão”.
A nota diz ainda que por determinação do prefeito, “iniciaram-se as investigações, que não podem continuar a ser indevidamente usadas como palanque político por oportunistas que omitem a verdade dos fatos”.
Sindicância
Além da CPI, uma Ação Civil Pública do Ministério Público acompanha a questão. No dia 30 de maio o Marília Notícia também publicou reportagem sobre o resultado da sindicância interna aberta pela Corregedoria da Prefeitura, investigação citada no parágrafo acima, na nota do atual governo.
A apuração do Executivo foi encaminhada para que a Procuradoria Geral do Município ajuíze uma ação de cobrança no valor do prejuízo, de R$ R$ 161.775, contra a então coordenadora administrativa de alimentação escolar, Dolores Domingos Viana.
Não houve divulgação da íntegra do relatório, mas o documento foi encaminhado para a CPI e para o Ministério Público.
A portaria publicada no Diário Oficial da cidade e assinada pela corregedora-geral do município, Valquíria Galo Febrônio Alves, instaura ainda um processo administrativo que será conduzido pela Comissão Processante Disciplinar Permanente contra a nutricionista Cláudia Silvana de Campos.
CPI
A CPI é composta também por Maurício Roberto (PP) e Danilo da Saúde (PSB), que já visitaram a sede da Divisão de Alimentos, sob as escadarias do estádio Bento de Abreu Sampaio Vidal, o Abreuzão.
Eles também foram até escolas e ouvem servidores, como nutricionistas, vigilância sanitária, açougueiros e integrantes da chefia da cozinha piloto, entre outros.
Ao término dos trabalhos um relatório com as conclusões será emitido. A CPI não tem poderes punitivos, apenas apuratórios. As informações levantadas também serão entregues para a promotoria tomar medidas cabíveis.
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